<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513</id><updated>2011-11-17T09:23:53.716-02:00</updated><title type='text'>Apenas uma vida ( Que droga, é a minha )</title><subtitle type='html'>Aconselho as pessoas sensatas e sadias de mente que voltem atrás... Digo àqueles que possuem um pingo de juízo: Não sigam em frente. Porém, se você quer deparar-se com relatos melancólicos, chatos e cheios de tristeza e amargura ( um pouco de pimenta e aventura de vez em quando ), então...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-115094429251732676</id><published>2006-06-21T23:39:00.000-03:00</published><updated>2006-06-21T23:47:51.823-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Ad Infinitum</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.stevonlucero.com/Metarealism/DoorKeeper.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Oil Painting by Stevon Lucero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá!&lt;br /&gt;- Boa tarde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calor, não?&lt;br /&gt;- O interfone está ali.&lt;br /&gt;- O interfone?... Ah, sim, o interfone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio constrangedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor vai ficar aí parado?&lt;br /&gt;- Olha, senhor... – José Bonifácio, segundo seu crachá de porteiro. Diretamente dos livros de história para a guarita de um condomínio de luxo – preciso de sua ajuda.&lt;br /&gt;- E em que posso lhe ser útil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me aproximei mais dele, para que ninguém ouvisse. Embora não houvesse uma viva alma por perto, todo cuidado ainda seria pouco. É como fiz o ditado: o seguro morreu de velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- preciso entrar um apartamento do quinto andar.&lt;br /&gt;- Não há ninguém lá.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas logo haverá...&lt;br /&gt;- Como você sabe?&lt;br /&gt;- Isso não vem ao caso, o fato é tenho que estar lá quando essa pessoa chegar.&lt;br /&gt;- Você está louco, meu chapa? Não posso deixar que entre... tenho cara de otário? Cadê o resto dos caras?&lt;br /&gt;- Quais caras?&lt;br /&gt;- Da sua gangue.&lt;br /&gt;- Não, pelo amor de Deus! não é nada disso... eu estou sozinho, e estou desarmado, veja – levantei a camiseta, apalpei os bolsos da calça, tirei o sapato e até as meias para que não restasse dúvida das minhas boas intenções.&lt;br /&gt;- Dá o fora, amigo; Não sei se você é louco ou só é bobo, mas o que me pede não posso fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranquei do bolso a carteira e puxei duas notas de cinqüenta. Mostrei as oncinhas para ele. Depois, puxei mais quatro notas indênticas. Seus olhos brilharam, mas ele se manteve imóvel. Finalmente a cartada final: duas notas de cem. Raríssima. Tem gente que em todos anos de plano real nunca viu uma, a não ser pela Tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhinhos pequenininhos do Excelentíssimo Bonifácio ficaram grandes e ainda mais brilhosos. Ele não resistiu aquela raridade e pegou uma das minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bonita né? Só vi uma vez... no banco eles só dão de cinqüenta.&lt;br /&gt;- Pode ser sua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos voltaram a ser pequenos. Seu Zé assumiu um ar sério e contido.&lt;br /&gt;- Não posso, sou honesto&lt;br /&gt;- Vai perder 500 mangos?&lt;br /&gt;- Como vou saber se você não é um assaltante?&lt;br /&gt;- Olha, eu juro que não quero fazer mal a ninguém. Quer uma prova? Te deixo aqui minha carteira de identidade... fica também com minha carta de motorista... Falta ainda minha licença para matar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu José ficou branco e os olhos se arregalaram de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brincadeira...&lt;br /&gt;- Pois não brinque, meu rapaz... deixe eu ver as fotos... hum, é você mesmo. Passa grana aqui.&lt;br /&gt;- Você não vai se arrepender.&lt;br /&gt;- Eu espero mesmo que não. Qualquer coisa estranha eu ligo imediatamente para a polícia.&lt;br /&gt;- Isso não será necessário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-115094429251732676?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/115094429251732676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=115094429251732676&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/115094429251732676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/115094429251732676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2006/06/seu-nia-ad-infinitum.html' title='Seu Nóia! - Ad Infinitum'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-114711460609753877</id><published>2006-05-08T15:52:00.000-03:00</published><updated>2006-05-08T15:56:46.200-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Ad Infinitum</title><content type='html'>&lt;img src= "http://www.cwrl.utexas.edu/~bump/images/Barton%20Creek%20Greenbelt/Dark%20Leaf%20Shadows%20on%20Stone.jpg" weight="300" height="300" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o seguinte, queridinho: eu sei de uma pessoa que pode nos ajudar muito.&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- Trata-se de uma senhora, já idosa... ela é muito mais velha que eu. Deve beirar os setenta.&lt;br /&gt;- Não creio...&lt;br /&gt;- Pois acredite.&lt;br /&gt;- Ora, não exagere, isso é despeito.&lt;br /&gt;- Que despeito o que, menino! Ela é mais velha sim, tá bom? Tudo bem, eu exagerei um pouco, vai... mas já passou dos 65, isso eu garanto. Ela não engana ninguém.. tem a cara toda esticada, viu? Uns pés de galinhas enormes... tá passada a coitada.&lt;br /&gt;- Mas afinal, o que essa coroa pode fazer por nós?&lt;br /&gt;- Por você, né amore? Eu não tô nem aí pra essa história.&lt;br /&gt;- Sei...&lt;br /&gt;- Bom mesmo que você sabe. Mas enfim... ela é caída pelo Henri. Sei por fonte segura, fidedigna.&lt;br /&gt;- E daí?&lt;br /&gt;- Ai, meu filho, ajuda aí, né? Tenho que explicar tudo... usa a dedução.&lt;br /&gt;- Não entendo...&lt;br /&gt;- Ai, Cristo... eu sei onde eles se encontram. E tenho um plano.&lt;br /&gt;- Que tipo de plano?&lt;br /&gt;- Essa velhota vai ajudar você a tirar o cachorro do Henri do seu caminho... e de uma vez por todas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo me imaginei invadindo um enorme prédio na surdina. Entraria de cócoras, no meio da noite. Usaria uma toca cobrindo o rosto, caso algo desse errado e alguém me visse. Teria que verificar o sistema de alarme e o turno dos seguranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo vi que isso seria muito complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em entrar como funcionário de uma empresa de gás. Já cansei de ver na Tv assaltos a condomínios de luxo levados a cabo dessa forma. O porteiro bobão não desconfiaria ao me ver com o uniforme da ultragaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também acabei descartando essa hipótese. Eu sou péssimo para representar, fico nervoso fácil. Ia acabar colocando tudo a perder. .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recorri mesmo ao bom e velho suborno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-114711460609753877?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/114711460609753877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=114711460609753877&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/114711460609753877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/114711460609753877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2006/05/seu-nia-ad-infinitum.html' title='Seu Nóia! - Ad Infinitum'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-114400004986459193</id><published>2006-04-02T14:46:00.000-03:00</published><updated>2006-04-02T14:50:19.743-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Ad Infinitum</title><content type='html'>&lt;img src= "http://lelesketchblog.ilustrato.com/wp-content/uploads/perua.jpg" weight="300" height="300"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Henri está muito bem.&lt;br /&gt;- Bem como?&lt;br /&gt;- Ele não sente sua falta, se é isso que você quer saber.&lt;br /&gt;- E quem disse que eu queria saber isso, mocinho? Eu só queria, assim... saber se ele está saudável ainda... você sabe que ele era muito saudável. Nunca vi um homem tão saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gargalhei do comentário, e ela me acompanhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele anda seduzindo muitas ainda.&lt;br /&gt;- Não me diga?&lt;br /&gt;- Agora ele se preocupa com moças mais jovens.&lt;br /&gt;- Como assim moças mais jovens? Quarentonas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais gargalhadas. Mas dessa vez só eu ri. Ela manteve-se séria. Fiquei constrangido e continuei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moças entre vinte e trinta anos.&lt;br /&gt;- Ele me trocou por uma pirralha? Não me diga isso, meu Deus, que horror! Conte-me tudo. Agora!&lt;br /&gt;- Henri e eu sempre fomos muito amigos. A senhora já havia percebido como nossa amizade era intensa. Andávamos sempre juntos, freqüentávamos os mesmos lugares. Partilhávamos dos mesmos gostos. Trocávamos roupas, carros – esses últimos as vezes por uma semana inteira – enfim, partilhávamos tudo, as vezes até mulheres. Mas eu nunca me envolvia de verdade. E ninguém dava crédito a ele. Vê-se que ele não vale muita coisa. Não quer nada sério com ninguém. Ora, que cara é essa? Vai dizer que você achava que ela era um anjo de candura? Quanto custava seu sorriso, sua ótima disposição, as noites inesquecíveis que ele lhe dava?&lt;br /&gt;- Eu nunca me iludi quanto a isso.&lt;br /&gt;- Que bom! Pois então, mas dessa vez eu me envolvi com uma pessoa. Uma pessoa correta, com valores, princípios. Alguém que valia a pena. Você me entende? Acho que finalmente estava com alguém que valia a pena.&lt;br /&gt;- E o que houve com ela, meu bem?&lt;br /&gt;- Henri entrou no meio, como sempre. No início eu resisti. Nós tínhamos nosso joguinho, nossas brincadeiras: com quem ela terminaria? Dois homens a sua escolha... Que vença o melhor! Uma brincadeira leviana! Nos divertimos muito, mas agora.... eu não sei, acho que não quero mais essa diversão.&lt;br /&gt;- Sabe, querido, a vida nos prega peças às vezes. Olhe ao meu redor. Você pensa que eu tenho tudo, não é? Mas eu não tenho.&lt;br /&gt;- E então tudo me enojou. A situação, o fato de estar brincando com essa mulher especial, a proximidade de Henri. Fiquei tão perto dele quanto jamais havia ficado.&lt;br /&gt;- Mas o que houve afinal? Ela te largou?&lt;br /&gt;- Eu não sei... ela não me atende mais, não quer me escutar. Por um tempo não pude ser um bom amante. Fiquei confuso. Confuso em relação a ela e a nós dois. Quem era ela afinal? Pensei que fosse um anjo. Depois vi que ela também podia cometer pecados. E depois de muito pensar, cheguei finalmente a conclusão de que ela é doce, e é pura.&lt;br /&gt;- Já sei – a perua simpática se levantou, um tanto atônita – ela ficou assustada com esse triangulo de perversão e te largou?&lt;br /&gt;- Creio que sim.&lt;br /&gt;- E o que espera de mim?&lt;br /&gt;- Afaste Henri dela.&lt;br /&gt;- Ela está com ele?&lt;br /&gt;- Não, claro que não... ela deve estar com nojo dele, assim como está de mim.&lt;br /&gt;- Então...&lt;br /&gt;- Ele a quer. Henri também compreendeu que o tempo das brincadeiras acabou.&lt;br /&gt;- Entendo – ela sentou-se outra vez, pensativa, assimilando tudo o que eu havia dito. Essa batalha também é dela – eu sei como posso resolver seu problema.&lt;br /&gt;- Nosso problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COntinua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-114400004986459193?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/114400004986459193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=114400004986459193&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/114400004986459193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/114400004986459193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2006/04/seu-nia-ad-infinitum.html' title='Seu Nóia! - Ad Infinitum'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-114072477497067854</id><published>2006-02-23T16:56:00.000-03:00</published><updated>2006-02-23T16:59:34.983-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Ad Infinitum</title><content type='html'>&lt;img src= "http://www.cellep.com/cellepteam/edicao_38/teens/Icami%20Tiba/perua.jpg" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol estava escondido entre algumas nuvens negras. Iria chover em pouco tempo. Peguei uma sombrinha – isso mesmo uma sombrinha – e coloquei no banco detrás do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento era intenso, como sempre, e os faróis ainda me davam medo.  Estava hiper ansioso para chegar ao meu destino. Bom seria que a pista fosse só minha, que não houvesse mais carro nenhum. E os faróis seriam removidos, pois já não teriam mais razão de existir. Caminho livre! É o que todos desejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou uma eternidade, mas finalmente cheguei ao meu destino:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um apartamento de luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sempre bom estar num apartamento de luxo. Ou melhor, é sempre bom estar em qualquer coisa que seja de luxo. Carro, apartamento, casa, restaurante, bar, motel, hotel, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perua me recebeu animada, mas percebi no seu olhar que estava intrigada também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me serviu licor, contou-me algumas bobagenzinhas que tinha feito nos últimos dias. Olhava-me curiosa, farejava algo em mim. Fazia-me falar. Eu só a escutava. O papo dela era muito interessante para que eu a atrapalhasse com meus comentários. E eu sabia onde ela queria chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torturei por mais um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por mais um longo tempo... e ela buscava um assunto, “o assunto”. E eu fazia com que esse assunto não chegasse. Ela só queria uma brecha... eu chutava para longe essa brecha.&lt;br /&gt;Depois de muito, muito tempo, lembrei-me que tinha trabalho a fazer. Então finalmente acabei com aquela tortura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Continua...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-114072477497067854?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/114072477497067854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=114072477497067854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/114072477497067854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/114072477497067854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2006/02/seu-nia-ad-infinitum.html' title='Seu Nóia! - Ad Infinitum'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-113796266086388480</id><published>2006-01-22T18:38:00.000-02:00</published><updated>2006-01-22T18:44:20.880-02:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 10</title><content type='html'>&lt;img src= "http://sprott.physics.wisc.edu/fractals/collect/1999/sea-star.jpg" weight="250" height="250" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina está tão distante de mim nesses últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que estive em falta com ela. Não lhe dei o carinho e a atenção necessária. Sinto-me culpado pelas vezes que cheguei até mesmo a me esquecer que ela estava ao meu lado. E isso aconteceu com uma certa freqüência nas últimas semanas. Sentávamos a frente da Tv e eu me esquecia do mundo. De repente, não havia mais nada de físico ao meu redor. Nem a tv, nem o sofá, nem as paredes da sala, nem mesmo eu ou Catarina. Apenas minha mente e meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora sinto sua falta. Gostaria tanto de tê-la aqui ao meu lado agora, enquanto escrevo. Onde será que ela está? O que anda fazendo? Por que não responde minhas mensagens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri ao telefone e disquei o número de sua casa. Nada. Tentei o celular. Tocou, tocou, e ninguém atendeu. Liguei novamente e deixei um recado: “Amor, me procure. Se não me quer mais, não me ignore, por favor. Encare as coisas de frente e diga-me a verdade. Doerá muito menos do que ser ignorado. Antes rejeitado que ignorado”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não haja muita diferença entre esses dois termos: ignorado e rejeito... sim, acho que há sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se dois dias e nada. Não liguei mais. Tão pouco deixei algum outro recado. Ela que se dane então, pensei. Foi quando o telefone tocou de forma diferente. Não me perguntem “como assim?”, não seria capaz de explicar. A campainha parecia soar de forma estranha, especial, sei lá, não sei dizer. Mas eu sabia que quando a campainha do telefone tocava assim, era Catarina me ligando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não deu outra.&lt;br /&gt;- O que você quer dizer com não me ignore?&lt;br /&gt;- Ora... quero dizer... não me ignore!&lt;br /&gt;Ela soltou um riso forçado do outro lado da linha.&lt;br /&gt;- Você está de brincadeira? Quem me ignorou foi você.&lt;br /&gt;- Eu? Claro que não, meu amor... o que foi que eu fiz pra você estar dizendo isso?&lt;br /&gt;- Ah, tenha santa paciência... se você não sabe o que fez, não serei eu quem vai lhe explicar. Ah, vai a merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a ligação caiu neste exato momento. Esperei que ela retornasse, e nada. “Será que ela está achando que eu desliguei na cara dela?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-113796266086388480?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/113796266086388480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=113796266086388480&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113796266086388480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113796266086388480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2006/01/seu-nia-parte-10.html' title='Seu Nóia! - Parte 10'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-113539846099656590</id><published>2005-12-24T02:17:00.000-02:00</published><updated>2005-12-24T02:37:40.243-02:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 9</title><content type='html'>&lt;img src= "http://gw.marketingden.com/planets/images/fullsize/jupiter.jpg" height="300" weight="300"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao chegar em casa, tomei um banho quente, foi muito relaxante. Vesti uma roupa confortável e bonita. Dei uma arrumada na casa, separei vinho e champagne. Catarina escolheria qual tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela chegou, a recebi com todo o carinho que sabia expressar. Nem sei se estava sendo verdadeiro, mas fiz de tudo para ser. Conversamos bobagens, rimos juntos. Eu estava mais calmo finalmente. Assistimos um pouco de Tv e subimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cama, ela me abraçou, me beijou, fez com que eu me sentisse protegido. Pela primeira senti-me protegido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem visto Henri? – ela me perguntou – estou com saudades dele. Você não está? – seu olhar era de malícia. Eu sabia exatamente o que ela queria dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi que não. Ouvir seu nome me fez mal. Lembrei outra vez do seu rosto, do seu corpo, do seu gosto. Senti nojo. Fiquei perturbado. Outra vez não pude satisfazê-la. Ela tentou me reanimar, mas nada fazia efeito. Não iria funcionar aquela noite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continua&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Houve um problema qualquer com o HaloScan, serviço de comentários, e os links não estão aparecendo. Mas eles estão aí, bem ao lado do horário do post. É só passar o mouse que a mãozinha aparece. Quem quiser comentar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-113539846099656590?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/113539846099656590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=113539846099656590&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113539846099656590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113539846099656590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/12/seu-nia-parte-9.html' title='Seu Nóia! - Parte 9'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-113374621731444401</id><published>2005-12-04T23:19:00.000-02:00</published><updated>2005-12-04T23:30:17.330-02:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 8</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img height="300" src="http://www.searchthe.net/Images2002/Earth.jpg" weight="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua pude sentir o frescor da manhã. Desejava que a brisa que soprava entrasse na minha alma e a lavasse. Não queria pensar em nada. Não queria fazer nada. Parei o carro numa praça e me sentei num banco. A cidade já estava acordada. Carros, pessoas, passarinhos que cantavam nas árvores próximas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com enjôo ainda. Sai de casa em jejum, por que não fui capaz de colocar nada na boca. Acho que se comesse vomitaria. Fiquei observando o movimento e cada vez que lembrava de Catarina, ou de Henri – principalmente de Henri – ou de qualquer coisa relacionada a sexo, eu sentia náusea. Uma forte náusea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei uma farmácia. Os remédios não fizeram muito efeito. Durante todo o dia não me concentrei em nada. Estava irritado, inquieto, com náusea e com medo. O que estava acontecendo comigo? Senti medo de mim mesmo, da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora mais cedo e sabia que logo Catarina chegaria. Por que dei as chaves da minha casa a ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que temia aconteceu. Ela chegou feliz e radiante. Chamou-me de vagabundo, cachorro, pilantra. Pediu que eu lhe desse um tapa na cara, mas de leve, claro. Eu me recusei. Naquele dia ficamos deitados na minha cama, pensando em nada. Bom, não sei quanto a ela, mas eu estava pensando em nada. Se é que isso é possível. Em alguns momentos até me esqueci que ela estava ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se cansou e foi embora. Nos despedimos com um beijo na boca. Mas um beijo frio e sem gosto. Foi assim no dia seguinte. Acordei perturbado. Senti-me o pior homem do mundo. Não quis a mulher mais linda da face da terra, que estava deitada ao meu lado, louca para que eu a possuísse. Mas eu não pude, não pude!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poderia fazer algo, se estava enojado? Passei o resto do dia sentindo palpitações e enjôos. As pessoas me perguntavam se havia algo de errado comigo. Eu dizia que não. Apenas pequenos problemas da vida moderna. Me deixem paz! Queria gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que ia me curar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continua&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Houve um problema qualquer com o HaloScan, serviço de comentários, e os links não estão aparecendo. Mas eles estão aí, bem ao lado do horário do post. É só passar o mouse que a mãozinha aparece. Quem quiser comentar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-113374621731444401?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/113374621731444401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=113374621731444401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113374621731444401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113374621731444401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/12/seu-nia-parte-8_04.html' title='Seu Nóia! - Parte 8'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-113207849905899455</id><published>2005-11-15T16:05:00.000-02:00</published><updated>2005-11-15T16:30:04.576-02:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 7</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img height="250" src="http://www.pickettphoto.com/life/life14.jpg" weight="250" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi risos de deboche. A visão de Catarina continuava turva, enquanto que o corpo de Henri se desenhava perfeitamente nítido aos meus olhos. Pude sentir o gosto do beijo deles. Era como se eu estivesse entre eles. Senti o gosto de Henri. Senti, ou melhor, lembrei-me do gosto de sua saliva. Seu corpo parecia mais presente, embora ainda estivesse a metros de distância, bem no meio da rua. Não havia mais carros. Uma viva alma sequer. Apenas eu, Catarina e Henri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me enojado. Eu não queria mais ver Henri. Não queria sentir o gosto da sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seus porcos... estou passando mal... por que não me ajudam?&lt;br /&gt;- Por que você é um otário, dizia Henri. Por que não para de frescura e vem aproveitar com a agente... achei que você fosse uma máquina... você não é nem metade do que dizia ser...&lt;br /&gt;- Seu, seu... verme! Gritei esta palavra com todas as minhas forças... o que você sabe de mim? O que sabe a respeito do meu desejo... cale a boca! Seus porcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas riam cada vez mais, e quanto mais riam mais se agarravam, entrando numa sintonia que me enojada e invejava ao mesmo tempo. As náuseas aumentaram até que não agüentei e vomitei. Foi quando despertei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina esta dormindo ao meu lado. E dormia profundamente. De manhã, quando o relógio despertou, ela se voltou pra mim e disse que me amava. Disse também que minha cama era muito gostosa, e que o dono dele também o era. Fui simpático, sorri a todos os comentários seguintes. Mas levantei-me rápido, me arrumei e saí para o trabalho. Ela ficou mais um pouco ainda, logo também iria cuidar dos seus compromissos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Houve um problema qualquer com o HaloScan, serviço de comentários, e os links não estão aparecendo. Mas eles estão aí, bem ao lado do horário do post. É só passar o mouse que a mãozinha aparece. Quem quiser comentar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-113207849905899455?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/113207849905899455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=113207849905899455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113207849905899455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113207849905899455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/11/seu-nia-parte-7.html' title='Seu Nóia! - Parte 7'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-113125347918968086</id><published>2005-11-06T03:01:00.000-02:00</published><updated>2005-11-13T15:53:18.416-02:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 6</title><content type='html'>&lt;img height="350" src="http://www.zetnet.co.uk/foe/earth.jpg" weight="350" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina estava vestida com uma roupa vulgar. Algo vermelho, talvez roxo, sei lá que cor era aquela. Ela se exibia com gestos eróticos e me lançava olhares provocativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava bem no meio da rua. Era noite e nenhum vizinho estava acordado para ver aquilo. Graças a Deus! Estava bêbada, talvez drogada também. Havia alguns carros que de vez em quando passavam buzinando. Uns passavam longe, acho que assustados – os motoristas, claro, os carros não se assustam com nada - outros ainda mais pirados que ela passavam rente a seu corpo, tirando uma fina que me dava arrepios na espinha. Buzinavam como loucos e a chamavam de gostosa. Mas nenhum parou pra perguntar o preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela parecia alheia a todo esse movimento. Continuava rebolando, mexendo o quadril de forma estranha, numa dança muito original. O olhar era fixo. Sempre fixo nos meus olhos. No começo era um convite, depois uma sugestão, até que se transformou numa ordem. Seus olhos queriam mandar em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não estava nem aí. Da janela da minha casa eu apreciava aquela cena bizarra e ria por dentro. Aquelas roupas eram ridículas, sem contar a dança estranha e os babacas que passavam buzinando e elogiando aquela vadia. Era isso que eu sentia naquele momento. Que ela era uma vadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não para um desses carros e vai com ele? Pode conseguir um bom dinheiro com seu corpo.&lt;br /&gt;- Não quero o dinheiro de ninguém... seu olhar tornou-se ainda mais provocativo, cada vez mais carregado de lascívia e devassidão – você sabe o que eu quero... e de quem eu quero.&lt;br /&gt;- Não, eu não sei... o que é que você quer?&lt;br /&gt;- Não estou te ouvindo, meu bem, fale mais alto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua voz estava ficando distante. Minha vista ficava confusa e embasada, e eu já não podia mais enxerga-lá muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê você?&lt;br /&gt;- Estou aqui, oras.. a sua espera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cabeça girava freneticamente. De repente, lembrei-me de Henri. Vi que ele estava ali. Mas ao contrário de Catarina, que agora estava como que fora de foco, ele estava bem nítido aos meus olhos. Vi quando ele tocou o vulto com as mãos, tocando primeiro as pernas, ou a bunda talvez. Não consegui ver direito. Logo depois ele a beijou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que estão fazendo?&lt;br /&gt;- Nos divertindo, caro amigo... Foi Henri quem respondeu.&lt;br /&gt;- Mas sem mim? Por que não me convidaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-113125347918968086?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/113125347918968086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=113125347918968086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113125347918968086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/113125347918968086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/11/seu-nia-parte-6.html' title='Seu Nóia! - Parte 6'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112897476918271096</id><published>2005-10-10T17:03:00.000-03:00</published><updated>2005-10-10T17:06:09.193-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 5</title><content type='html'>&lt;img src="http://meuslivros.weblog.com.pt/arquivo/ZEgui-mascaras.gif" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que no dia seguinte àquela noite de sexo, na qual ela, Henri e eu estivemos juntos na cama, ela me veio até aqui, minha casa, e me disse estar se sentindo extremamente envergonhada por tudo o que havia feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinceramente, eu nem me lembro do que fizemos. Acho que “não sei o que houve” é a resposta certa, por que eu nem sei se isso de fato aconteceu. Estava péssimo. Havia bebido demais.&lt;br /&gt;- Ora, como pode não se lembrar? Você gemeu de prazer o tempo todo. Deliciou-se ao ver eu e Henri explorando seu corpo, chupando cada centímetro dele. Vai me dizer que não lembra de me ter visto fazendo sexo com Henri? Você parecia muito feliz ao nos ver juntos...&lt;br /&gt;- Eu... sim, eu me recordo... mas não com muita nitidez. Mas Catarina, não me importo com o que houve. Seja lá o que for, deve ter sido bom.&lt;br /&gt;- Deve ter sido bom! O que você pretende? Esquivar-se da culpa? Quer fazer com que eu me sinta ainda mais suja? Quer que eu me sinta a única responsável por tudo o que houve?&lt;br /&gt;- Mas que coisa! Deixa disso, já falei! – peguei em seus ombros e a chacoalhei, numa tentativa de lhe rançar aquela idéias idiotas da cabeça – foi ótimo, foi lindo. Não tem nada de feio, não tem nada de errado, ok?&lt;br /&gt;- Você pensa mesmo assim?&lt;br /&gt;- Sim, eu penso?&lt;br /&gt;- Gostaria de fazer de novo?&lt;br /&gt;- Não sei... talvez... por que?&lt;br /&gt;- Por nada...&lt;br /&gt;- Pensa em fazer de novo?&lt;br /&gt;- Não – ela não me olhava nos olhos – só perguntei por que queria saber o que você pensava.&lt;br /&gt;- Pensa em fazer de novo ou não? Diga-me a verdade.&lt;br /&gt;- Não sei... de repente...&lt;br /&gt;- Que bom... sinal de que a vergonha passou. Esqueça isso. Não há do que se envergonhar.&lt;br /&gt;- Mas... eu não quero esquecer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112897476918271096?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112897476918271096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112897476918271096&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112897476918271096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112897476918271096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/10/seu-nia-parte-5.html' title='Seu Nóia! - Parte 5'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112710179784293853</id><published>2005-09-19T00:38:00.000-03:00</published><updated>2005-11-06T03:05:57.853-02:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 4</title><content type='html'>- Cadela!... – dizia mais uma vez: – Cadela! – ela continuava com sua cara emburrada. E eu repetia: - Cadela! Cachorra! E logo em seguida me desmanchava em risadas.&lt;br /&gt;- Seu desgraçado! já falei pra não falar assim comigo – fazia uma pausa para me dar murros e pontapés – Ai, que ódio de você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o clima embora pudesse parecer tenso – na verdade até o era – era de muita brincadeira. Catarina sempre me dava beliscões ou tapinhas ao ser chamada de cadela, puta, vadia, entre outros nomes que eu vinha usando com freqüência para me referir a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aquela noite, quando Catarina se mostrou para mim, as coisas haviam mudado. Não havia mais pudores, não havia mais gestos controlados, olhares medidos, palavras contidas. Tudo era espontaneidade, tudo parecia respirar verdade entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abaixo a hipocrisia! – dizia-me sempre com uma taça de champagne na mão. Sou sua cadela sim... me fode todinha que eu gosto assim, com muita força bruta e violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizíamos o que pensávamos na lata, sem vergonha de ser verdadeiro, sem medo de magoar. Coisas como: “sua comida estava horrorosa hoje”. “Credo, você está com um bafo terrível... vá escovar os dentes agora...“ ela me disse isso umas dez vezes só hoje. “Sua mãe é muito chata”, “você estava parecendo uma geladeira hoje. O que houve com você? Pensa que é só abrir as pernas e pronto?” “Você estava fedendo... não faço milagres”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje mesmo disse a ela: “você está barriguda... assim não vou mais querer te comer”. “Idiota, erga as mãos para o céu, filhinho, por que com um pinto desse tamanho você não vai conseguir coisa muito melhor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipocrisia fora abolida de nossas vidas. Respirávamos aliviados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não!... Isso é o que parecia ser. Infelizmente essa não era a realidade. Era apenas um quadro que pintei na minha mente, com ajuda da ilusão e da ingenuidade. Catarina é hipócrita por natureza. Talvez eu esteja sendo leviano em fazer essa afirmativa. Eu não estou dentro dela, e embora nossa intimidade esteja crescendo a cada dia, eu não possuo a chave da porta que protege sua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que afirmo, afirmo baseando-me em meras observações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ainda finge. Finge ser sincera. Finge falar a verdade. Muitas vezes confunde sinceridade com dizer grosserias. Ela odeia ser chama de cadela. Ela não suportada ser tratada como uma puta. Mas mesmo assim ela gosta de agir como uma. Eu não a entendo. Ela gosta de ser puta, mas não admite ser chamada de puta. O que ela faz, na verdade, é engolir a raiva quando ouve os “insultos” (coloquei as aspas porque no nosso caso tudo isso é elogio, ou melhor, fingimos ser elogio) para assim parecer verdadeira, talvez coerente. Complicado isso, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112710179784293853?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112710179784293853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112710179784293853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112710179784293853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112710179784293853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/09/seu-nia-parte-4.html' title='Seu Nóia! - Parte 4'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112550479279177923</id><published>2005-08-31T13:03:00.000-03:00</published><updated>2005-08-31T13:17:41.883-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 3</title><content type='html'>&lt;img src= "http://www.wodaski.com/wodaski/images/sun%20RGB%20from%20extreme%20ultraviolet.jpg" weight="350" height="350"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua toalha – dizia-me em polvorosa – ela caiu!&lt;br /&gt;- Eu vi... estou vendo... estamos vendo... o que achou?&lt;br /&gt;- Como assim o que eu achei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei aproximar-me, mas ela se afastou. Corria até a porta e arranquei a chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que o senhor pretende fazer comigo?&lt;br /&gt;- Calma, não vou fazer nada que não queira, está bem? A escolha é sua. Você pode ficar aqui e desfrutar de tudo isso que está vendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essas alturas eu já estava excitado e algo em mim começava a endurecer precocemente. Estava excitado com a situação, com a cara de medo e de susto que ela fazia. Seu corpo gostoso também já estava me enlouquecendo, ainda mais por estar numa roupinha bem apertadinha, toda branca, o que deixava suas curvas ainda mais visíveis. Sabia que por trás daquele número de mocinha acuada estava uma fêmea no cio, pronta para procriar com seu macho, louquinha para entregar-se aos seus mais baixos instintos. Eu vi isso em seus olhos enquanto conversávamos, e agora via ainda mais claramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- veja bem, Fran.... aliás, é Fran o que? Francesca? Franciele? Sempre tive curiosidade de saber. Bom, mas deixa pra lá, você vai ter muito tempo pra me contar, se quiser, é claro... Mas como dizia, você tem duas opções: uma delas é ficar por aqui e usufruir dessa delícia que você está vendo... podemos fazer loucuras juntos. A outra opção é dizer “não” a esta proposta que acabei de fazer, sair por esta porta e voltar pra sua padaria chata e monótona. Lá você vai ficar trabalhando o resto do dia, soando na frente daquele forno ou então atendendo um monte de gente fresca e chata. O que você prefere fazer?&lt;br /&gt;- Você é louco – Fran gritava – é claro que a resposta é não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda duvidando, abri a porta e dei passagem. Fran passou por mim ressabiada, com um certo medo, mas ainda assim dando passos lentos, talvez indecisos. Vi quando deu uma leve olhada pra baixo. Estranhamente, assim que cruzou a porta começou a correr, cruzando o portão feito flecha. Mas ao invés de correr para a direita, em direção à padaria, tomou o caminho oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decepcionado, fiquei ainda uns segundos ali de pé, nu, esperançoso de que ela pudesse voltar. Convencido de que a havia perdido, resolvi então entrar, antes que alguém passasse na rua e me visse daquele jeito. Bom, de atentado ao pudor não me poderiam acusar. Ou bem ou mal eu estava dentro de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a distância que separava minha porta do batente da mesma não chegava nem a um milímetro, quando uma força a barrou, empurrando-a contra mim, quase me derrubando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava louca, transtornada. Via em seus olhos uma fúria animal. Enfim sua porta fora aberta, e eu podia ver toda a verdade agora. Ela não sentia mais vergonha de me expor seu desejo, sua cobiça por carne, por homem, por sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos amamos ali mesmo, no chão, como dois selvagens. Um vendo fresco entrava pela porta aberta, esfriando um pouco nossos corpos que ardiam em chamas, que se incendiavam de sexo e paixão, de paixão pelo sexo, de paixão pelo prazer que vinha do sexo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112550479279177923?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112550479279177923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112550479279177923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112550479279177923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112550479279177923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/08/seu-nia-parte-3.html' title='Seu Nóia! - Parte 3'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112422203091985101</id><published>2005-08-16T16:46:00.000-03:00</published><updated>2005-08-16T16:57:12.576-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia! - Parte 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img height="300" src="http://www.pascalou.org/images/ecli2.jpg" weight="300" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?!&lt;br /&gt;- Olá amor... como está?&lt;br /&gt;- Bem, e você?&lt;br /&gt;- Bem também... mas queria conversar com você.&lt;br /&gt;- Algum assunto em especial?&lt;br /&gt;- Sim, quero falar sobre nossa última noite... estou tão envergonhada.&lt;br /&gt;- Ora, mas que bobagem! Envergonha por que? De que?&lt;br /&gt;- Do que fizemos, ou melhor, do que eu fiz.&lt;br /&gt;- Que grande bobagem! Não fizemos nada de errado, ao contrário. Fizemos aquilo que tínhamos vontade de fazer. Foi tão bom. Adoraria repetir aquilo.&lt;br /&gt;- Fico feliz por pensar assim, mas pra mim isso é... é tão... é tão complicado. Nem sei direito o que estou sentindo. Quero ir praí.&lt;br /&gt;- Agora?&lt;br /&gt;- Sim, algum problema?&lt;br /&gt;- Não, claro que não. Pode vir.&lt;br /&gt;- Então está bem. Em uma hora chego ai. Beijo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, mas que bobagem. Não havia nada de errado com que fizemos. E claro que ela podia vir pra cá. Por que não poderia? Eu a amo, estou super feliz com ela. Por que não iria querer que ela viesse pra cá? Bom, talvez ela tenha percebido que estou meio desanimado. Confesso que hoje preferia ficar sozinho. Mas tudo bem, ela pode vir sim. Será muito agradável passar o dia com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi as escadas pulando os degraus de dois em dois. Chegando ao meu quarto, peguei a caderneta novamente, sentei-me na poltrona preta de couro que ficava próxima à janela – agora já com cortina – e me entreguei outra vez às lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliguei o telefone e voltei pra janela do meu quarto. Fiquei observando o movimento da rua. Cerca de três ou quatro minutos depois, vejo uma bela moça, muito meiga, de aparência frágil, porém sensual e provocante ao mesmo tempo, saindo da padaria com um embrulho nas mãos. Era Fran.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que rápido, arranquei minhas roupas e me enfiei debaixo do chuveiro, obedecendo a um impulso, a uma idéia louca que acabara de me surgir. Não ficando mais que dez segundos debaixo d´água, dei apenas uma leve enxugada no corpo, apenas para tirar o excesso de água, e me enrolei na minha toalha azul-marinho. Abri feito louco a gaveta do meu criado-mudo. Derrubei papéis, remédios, fiz a maior bagunça, até que finalmente achei o que queria: um pequeno frasco de colírio. Devo ter derrubado metade do seu conteúdo nos olhos, pois eles arderam tanto que achei que fosse ficar cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente a campainha tocou, eu estava ainda com o corpo molhado, enrolado numa toalha (colocada bem baixa, deixando os pelos do púbis quase a mostra) e com os olhos doloridos e lacrimejantes, porém imensamente vermelhos, como convém a um bom gripado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, bom dia!... Meus Deus, o que senhor tem? – Fran levou a mão que estava livre à boca, num gesto de surpresa, espanto ou horror.&lt;br /&gt;- Como pode ver, não estou nada bem – a minha voz agora saía falhada, anasalada. Estaria enganado bem? Mas entre... Venha, deixe-me levar os pães até a cozinha.&lt;br /&gt;- Eu não posso demorar muito. O movimento na padaria já está grande.&lt;br /&gt;- Nem me fale. Vou ter que passar o dia todo aqui, enquanto o mundo lá fora acontece. Vai trabalhar o dia todo hoje?&lt;br /&gt;- Uhum... mas folgo amanhã. Não é a mesma coisa trocar o domingo pela segunda, mas tudo bem.&lt;br /&gt;- Deve ser chato mesmo... ninguém fica de folga na segunda...&lt;br /&gt;- Bom, acho que já vou então...&lt;br /&gt;- Espera um pouco, senta aqui comigo... tem coragem de deixar um doente sozinho?&lt;br /&gt;- Não, claro que não – Fran sentou-se forçada, apenas por educação, isso estava mais do que claro – o senhor está mesmo muito mal, hem... seus olhos estão muito inchados e vermelhos... não é melhor procurar um médico? Além do mais, o senhor deve colocar uma roupa...&lt;br /&gt;- Eu odeio médicos... já fui à farmácia e comprei uns remédios. Logo estarei bem, você vai ver.&lt;br /&gt;- Tomara... bom, mas tenho mesmo que ir. Estimo as melhores pro senhor.&lt;br /&gt;- Te acompanho até a porta.&lt;br /&gt;Antes que ela tivesse tempo de se levantar, dei um salto pondo-me de pé. Não sei se o movimento brusco ajudou, ou se devo isso apenas ao fato de ter deixado (de propósito, devo ressaltar) a toalha meio frouxa, mas ela deu um grito quando meu viu nu, sem nada a me cobrir as vergonhas, do jeito que vim ao mundo. A toalha jazia no chão, imóvel e sem vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112422203091985101?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112422203091985101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112422203091985101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112422203091985101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112422203091985101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/08/seu-nia-parte-2.html' title='Seu Nóia! - Parte 2'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112317445437771574</id><published>2005-08-04T13:26:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T14:01:22.220-03:00</updated><title type='text'>Seu Nóia!</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.helenafretta.com.br/img_acervo/simone_tanaka/abstrato%20vermelho%201,10x1,10.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;A caderneta estava sobre minha escrivaninha, dividindo espaço com cd´s que nem ouvia mais e com um montão de livros que havia começado a ler e não tinha terminado. Eles foram acumulando-se ali, implorando para serem lidos, e eu nem dei atenção. Mas, quem havia colocado aquela caderneta ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia meses que não a via. Na capa ainda estava o mesmo menino montado sobre seu skate, fazendo uma manobra certamente muito radical. Seus olhos tentavam me passar satisfação, ira, orgulho. Ao fundo, algumas meninas lhe lançavam olhares de desejo e admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a caderneta. Estava tenso, ansioso por ter outra vez acesso às informações ali guardadas. Percorri palavra por palavra, linha por linha, numa leitura ansiosa mas ao mesmo atenta, lembrando-me de tempos que há muito já se foram, recordando-me de alguém que já não existe mais. Bom, será mesmo que não existe mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha barba era um pouco mais fina e rala. Mas nada que alguém pudesse perceber. Só mesmo eu conseguiria notar a diferença. Meu rosto estava mais fino, e eu, mais magro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estava o meu monitor de plasma? Minha cama era agora antiga, de uma madeira muito clara, com algumas gavetas embaixo. Onde fora parar minha cama de casal novinha? A cortina não estava mais lá, apenas uma janela nua que me expunha aos olhares curiosos dos que passavam pela rua - quando aberta, obviamente. Com surpresa, lembrei-me que misteriosa e inexplicavelmente meu salário encolhera. Eram cerca de três mil reais a menos. Estaria eu pobre novamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me cedo da cama pois a claridade que entrava pelas janelas era enorme. Precisava urgentemente de uma cortina. Onde fora parar aquela tão bonita que havia comprado apenas alguns meses trás? Fui até a cozinha preparar algo para comer. Ao passar pela sala de jantar, com muita surpresa constatei que ela havia sido roubada. Deus, quanto dinheiro havia gastado ali!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos na cozinha - para meu alívio, devo ressaltar - tudo estava como antes. Ao chegar ao banheiro para escovar os dentes e tomar um banho, vi que ali também nada havia sido alterado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o banho, fui até a janela do meu quarto, que ainda mantinha-se fechada. O sol entrou abundante por ela quando a abri. Dei bom dia ao sol e às arvores. Que surpresa ao constatar que a árvore do meu vizinho da frente, cortada no começo deste ano (mas como assim? Em que ano estamos? Acho que me refiro a 2005. Estou ficando louco. Nem sei mais o que estou dizendo), ainda estava lá, vigorosa e deslumbrante como sempre estivera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento na padaria que ficava quase de frente pra minha casa estava intenso. Esfreguei as mãos num gesto de ansiedade e fui até minha escrivaninha. O rosto do skatista estava mais nítido. Ele estava mais branco também. As garotas ao fundo também estavam mais clarinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fran&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pele muito branca, cabelos escuros, compridos, fazendo do ombro pra baixo leves ondulações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possibilidades: Aposto que curte sexo oral. Anal ainda não sei. Seus olhares não me contam tanto. Essa reserva inicial mostra que se faz de rogada. Talvez queira passar uma imagem de moça recatada. Mas nada que uma boa conversa não resolva.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, agora tudo o que tinha que fazer era dar um jeito de conversar com ela, tornar-me seu amigo. Nas poucas vezes que a vi, tudo o que pude fazer foi observar atentamente seus movimentos, seus mínimos gestos. Tentei penetrá-la pelos olhos, uma porta para a alma. Mas esta não estava aberta. Logo percebi que esta porta ficava propositadamente fechada. Ela a fechada todas as manhãs, passava a chave e girava a maçaneta várias vezes para certificar-se de que tudo estava devidamente lacrado. Fazia-se de santa, tinha certeza. Não era aquilo que queria passar, aposto que não era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Padaria Santa Marcelina, bom dia.&lt;br /&gt;- Oi, aqui quem fala é seu cliente preferido...&lt;br /&gt;- Ah, bom dia... acabou de sair uma fornada, vem buscar agora?&lt;br /&gt;- Não, não posso sair de casa. Peguei uma gripe, estou indisposto. Não pode mandar alguém aqui?&lt;br /&gt;- Sim, claro. Como quiser... Carlos – ouvi do outro lado da linha – separa aí três pãezinhos pro nosso cliente vip. Quanto mais branquinhos estiverem, melhor. Vê também um croissant. Isso fica por conta da casa... Ouviu amor?&lt;br /&gt;- Ouvi sim, obrigado. Mas você pode mandar uma de suas meninas trazer pra mim? Não estou bem, e o Carlos não vai me ajudar em nada a melhorar meu ânimo – ao final soltei uma leve risada, mas bem forçada.&lt;br /&gt;- Ah, seu safadinho... Tudo bem, mando a Fran.&lt;br /&gt;- Ok. Até mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fran? Fran de Franciele? Francisca? Francesa? Que outros nomes também começavam com Fran?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava imerso em meus pensamentos e lembranças, quando o telefone tocou. Fui arremessado bruscamente, pulando dias, semanas e meses. Como que saindo de um torpor, de um sono pesado, percebi que minha cama de casal voltara. A caderneta, fechada bruscamente, estava outra vez velha e gasta. Coitado do skatista, estava sujo de novo. Desci as escadas correndo, pois sempre detestei telefone no quarto. Passando pela sala de jantar, vi que tudo estava em ordem novamente. A mesa, as cadeiras, os caríssimos objetos de decoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendi ofegante. Era Catarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112317445437771574?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112317445437771574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112317445437771574&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112317445437771574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112317445437771574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/08/seu-nia.html' title='Seu Nóia!'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112183507581502125</id><published>2005-07-20T01:38:00.000-03:00</published><updated>2005-07-20T02:00:01.830-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 8</title><content type='html'>&lt;img src="http://aleatorio.weblogger.terra.com.br/img/c8219.jpg"&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebemos a noite toda. As árvores tornavam-se cada vez mais apagadas e irreais à medida que a noite avançava. Já não havia mais luz para iluminá-las, nem a do sol, nem a da razão, por que esta também já não mais existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi Catarina soltando-se cada vez mais. Seu riso inocente dava agora lugar a uma risada sarcástica, debochada. Não a via mais com seus gestos contidos, com suas palavras medidas, muito bem estudadas antes de serem pronunciadas. O que fora feito de Catarina? Eu estava tão confuso que às vezes nem mesmo via seu rosto. O que fora feito do anjo? Era ele na verdade um demônio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui tomado por braços fortes que me carregaram até um local quente e macio. Senti seu corpo em contato com o meu. Depois, percebi que algo molhava delicadamente meu corpo. Era algo macio, suave, mas úmido. De repente, comecei a sentir leves mordidas. Voltei-me e vi que uma bela mulher beijava-me o corpo. Toquei em seus cabelos, passei as mãos em seu rosto, senti seu perfume. Dei-me conta de que tudo o que eu queria naquele momento estava ao meu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente ela chegou até minha boca. Parecia querer me sugar. Quis dizer-lhe que não havia necessidade de violência, pois eu me entregaria sem resistência. “Não há por que me queimar”, tentei lhe dizer. Uma dor nas pernas me fez calar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele estava fazendo ali? Por que segurava uma vela? Senti quando se aproximou de mim. Seu corpo era mais pesado, e ainda mais quente que o dela. “Não posso pedir que pare”. Sua boca era áspera. Seu toque era pesado, mas confortador. Suas atenções dividiam-se entre mim e Catarina. Quem era mais merecedor de suas carícias? Quem as desejava mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro de ter-me levantado uma vez sequer. Durante todo o tempo fiquei ali, deitado, esperando pelo prazer, que chegava abundante e atrevido. “Não sei se é certo”... “Não há certo e errado aqui”... quem disse isso? Não sabia se a voz vinha de fora ou de dentro. Não foi um homem quem disse, nem uma mulher. Era uma voz assexuada?... “relaxe... parece tenso”... é Catarina quem me fala, agora eu sei... não... talvez seja Henri... ou serei eu mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se apagou e se acendeu ao mesmo tempo. Esqueci-me de quem eu era. Tinha um corpo, e isso me bastava. Sentia prazer com ele, e isso também me bastava. “Você será todo nosso agora... um brinquedo”... Sim, peço que me dominem, que me tomem, que me usem como quiserem. Falava em voz alta, ou apenas pensava? Não sei responder. Só o que sei é que estas palavras expressavam perfeitamente o meu único desejo naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então as coisas atingiram seu ápice. Não havia mais para onde ir. A busca estava acabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se gritava de alegria, ou de prazer, ou de dor. Outro homem ao meu lado gemia, e uma mulher gritava também. E todos sabíamos que havíamos chegamos ao cume da montanha juntos, quase ao mesmo tempo. Era uma vitória. Havíamos quebrado barreiras. Bem, acho que não posso falar por eles, mas eu tive a certeza de que havia acabado de transpor uma grande barreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112183507581502125?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112183507581502125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112183507581502125&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112183507581502125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112183507581502125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/07/in-paradisum-por-enquanto-8.html' title='In Paradisum... por enquanto - 8'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-112113397094056170</id><published>2005-07-11T22:54:00.000-03:00</published><updated>2005-07-11T23:13:27.813-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 7</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.sapergalleries.com/GorgBolero.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bolero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Jurgen Gorg&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, vejo que você tirou aquelas fotos vulgares de sexo explícito.&lt;br /&gt;- Pois é, a arte aqui também pode cumprir muito bem o seu papel. Mas veja que ainda admiro muitos os ensinamentos do kamasutra – disse apontando para algumas gravuras na parede.&lt;br /&gt;- É, percebi – respondi enquanto olhava demoradamente para algumas das posições sexuais expostas ali. Seria tão interessante por todas elas à prova... dariam mais prazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes fiquei em dúvida se isso faria alguma diferença. Tudo o que eu precisava para sentir prazer estava ali ao meu alcance, onde sempre esteve. Não importava o lugar, nem as pessoas, e tão pouco a posição, a fonte do meu prazer estaria onde sempre esteve. Era tão fácil acessá-la. Pra que dificultar tudo, inventando maneiras bizarras e engraçadas de sentir aquilo que está apenas a um toque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A mente é elástica. Ela gosta de mudar, ela quer sempre mais”, Henri costumava-me dizer todas as vezes que eu ia contra suas conjeturas a respeito do sexo e das diversas formas de se obter prazer através dele. Muitas vezes achava que ele tinha razão. Minha mente freqüentemente insistia em querer dificultar e complicar as coisas, embora eu tivesse a forte convicção de as coisas eram, e são, muito mais fáceis do que ela quer fazer parecer. Penso que ela age assim de propósito, para nos mostrar que não somos apenas um corpo. Na verdade, acho que o prazer nem vem do corpo, e sim da mente. Tudo isso me confunde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejo também que você continua o mesmo narcisista de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espelhos no teto eram um espetáculo à parte. Aquilo na verdade mais parecia um quarto de motel do que propriamente um quarto de dormir. Decididamente aquele não era o quarto de uma pessoa normal. Bom, mas enfim, aquilo tudo era mesmo a cara de Henri. Ele adorava poder fazer sexo olhando-se no espelho. Isso mesmo, pois não se enganem ao pensar que ele prestaria alguma atenção ao reflexo da sua parceira, por que na verdade ele prestaria atenção em si próprio. Uma vez ele me disse que “gosto de me cercar de arte, e um belo corpo também é arte. Logicamente que apenas belos corpos deitam-se aqui. Mas o mais belo deles certamente é o meu”... e após rir-se do seu comentário, continuou: “você vai me achar um louco, mas eu me excito comigo mesmo. Tremo de prazer todas as vezes que olho para cima e vejo que há um homem maravilhoso na minha cama”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A excursão pelo apartamento chegara ao fim. Henri nos levou então até a sacada da sala principal, onde havia espaço suficiente para abrigar uma pequena mesa. Bebemos um pouco e ficamos a contemplar a linda vista. Havia muitas árvores lá embaixo, e a maioria delas conseguia chegar alto o suficiente para que tampassem a vista que teríamos da cidade, formando como que uma grande cortina verde. Àquela hora a cortina estava já quase imperceptível, num verde bem escuro, quase se confundindo com o céu negro sem estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Achei tão agradável aqui – Catarina fez um comentário provavelmente para quebrar o silêncio.&lt;br /&gt;- Realmente... esse lugar inspira calma, mas ao contrário disso, você parece um tanto agitada...&lt;br /&gt;- Eu não... por que acha isso, meu amor?&lt;br /&gt;- Só achei você inquieta... mas acho que foi só impressão minha – sorri para ela e peguei em suas mãos, que estavam geladas e rígidas. Ela tentava se controlar, queria esconder o que sentia, queria esconder a verdade. Ela queria estar naquele quarto, junto com Henri. Talvez me quisesse lá também, talvez não. A este pensamento, imediatamente afastei minhas mãos das suas, num gesto meio brusco, que ela em seu nervosismo nem notou. Mas que bobagem! Tenho que perder esta mania de ficar tirando conclusões por mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual seria o próximo passo agora? O que aconteceria então? Se estávamos num jogo, quais eram as regras? Eu havia me esquecido delas... também pudera, isso foi há tantos anos. Aliás, havia mesmo regras? Acho que não, apenas sabíamos, Henri e eu, que tudo era válido. Nada era proibido. Essa era a regra... ou a falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-112113397094056170?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/112113397094056170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=112113397094056170&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112113397094056170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/112113397094056170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/07/in-paradisum-por-enquanto-7.html' title='In Paradisum... por enquanto - 7'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111984529457062573</id><published>2005-06-27T01:06:00.000-03:00</published><updated>2005-06-27T01:13:43.246-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 6</title><content type='html'>&lt;img src="http://missantipatia.blogs.sapo.pt/arquivo/3881.JPG" weight="350" height="320"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu rosto eu via uma calma inabalável. Seus olhos mantinham-se ocupados com os movimentos de Catarina, e suas mãos repousavam nos bolsos da sua calça Armani. O corpo ereto, a boca fechada, aberta vez ou outra para se gabar de suas inúmeras – e evidentes – qualidades. Mas por dentro, meu amigo, por dentro sei exatamente o que você está sentindo. Olhe aqui para mim, bem nos meus olhos, por que evita o meu olhar? Isso faz parte desse pequeno confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora ele fosse capaz de não externar suas emoções, por mais fortes e intensas que estas fossem, eu sabia o que se passava em seu interior, pois eu o conhecia bem, talvez até bem demais, e podia enxergar aquilo que não estava ao alcance de um olho qualquer. Nem mesmo eu sabia como conseguia isso, pois ele era um ótimo ator, e neste exato momento colocava a prova todas as suas habilidades cênicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse até melhor que não fosse assim. Cheguei muitas vezes a desejar que este homem fosse apenas um conhecido, um colega sem importância. Mas infelizmente ele era bem mais do que isso. Embora tenha tentado muitas vezes, ao longo dos anos de nossa amizade, não consegui reduzir Henri à qualidade de mero colega, alguém com quem podemos ter uma boa conversa, até mesmo passar horas e quem sabe dias agradáveis, mas jamais sentir uma identificação grande o suficiente para chamar de amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parecia tanto comigo. Partilhávamos tantas manias, gostos, modos de ver a vida, as pessoas, os homens e as mulheres. Era difícil não me identificar com ele. Entretanto, tinha raiva por senti-lo assim tão próximo de mim. Bom, na verdade sentia raiva em dias como o de hoje. Pois muitas vezes sentia-me feliz por tê-lo ao meu lado, por saber que a qualquer momento poderia ligar para ele e ter um consolo, ou um deboche cruel, muitas vezes disfarçado por um ingênuo senso de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas éramos tão parecidos. Somos tão parecidos. Ele é um verme, eu sei, não vale muita coisa, não merece crédito ou atenção, mas é muito parecido comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, pelo que vejo a casa acabou. Não há mais nada para se ver.&lt;br /&gt;- Você sabe que há, meu amigo – falou olhando-me finalmente nos olhos. Agora ele podia me encarar novamente, porque se sentia seguro com seu novo trunfo. Ele sabe ser um bom ator, mas sabe também que eu sou uma ótima – e espertíssima – platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me dele e sussurrei que isso ele não se atreveria a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que há de mal nisso? Catarina, falta você conhecer o meu quarto.&lt;br /&gt;- Não se atreva – gritei tentando parecer bravo.&lt;br /&gt;- O que é isso amor, o que tem de mais? Pelo amor de Deus, né? – Vi seu sorriso irônico e cheio de vitória. Verme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No centro do quarto havia uma cama redonda, muito bonita e carregada de muita luxúria – eu sabia muito bem o quanto. Havia quadros com pinturas eróticas pelas paredes, e a janela mantinha-se eternamente fechada, exceto quando não havia ninguém para impressionar. A iluminação ficava por conta de velas penduradas nas paredes e espalhadas pelo chão. Essa luz tênue mostrava roupas íntimas, de homens e mulheres, espalhadas pela cama. “São todas usadas”, Henri explicou a Catarina. “Isso seria uma espécie de preço por deitar nessa cama e sentir as maravilhas que ela pode proporcionar. Veja, são todas peças extremamente ousadas, sensuais, e caras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina examinava tudo com intensa curiosidade. Vez ou outra abria e fechava a boca, numa atitude de espanto, surpresa, susto e horror. O brilho dos seus olhos me confundia. O que de fato sentia? Talvez estivesse se lembrando das missas de domingo que ela freqüentou quando criança, ou então das palavras do seu pastor, palavras essas que lhe surgiam agora como se estivessem sendo pronunciadas neste exato momento. Ela sabia que deveria correr para longe dali. Mas quem sabe ela estivesse pensando em se deitar nesta cama junto comigo e me amar em cima dela. Talvez pensasse também em convidar Henri para participar, ou então mais dois ou três homens ou quem sabe até mesmo mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas há só isso aqui? Não tem Tv, nem vejo um armário onde você possa guardar suas roupas.&lt;br /&gt;- O closet fica logo ali. Televisão eu tenho na sala, e como pode perceber ela é enorme e uma só já me satisfaz. Não precisamos de mais nada aqui. Uma boa e confortável cama, uma iluminação leve, um pouco de arte para agradar aos olhos, e muita criatividade - ou nenhuma, quando venho aqui apenas para dormir – é tudo que se precisa para ser feliz. A vida é simples, sempre digo, as pessoas é que estão sempre tentando fazer dela uma enorme complicação.&lt;br /&gt;- Bom, vejo que você tirou aquelas fotos vulgares de sexo explícito.&lt;br /&gt;- Pois é, a arte aqui também pode cumprir muito bem o seu papel. Mas veja que ainda admiro muitos os ensinamentos do kamasutra – disse apontando para algumas gravuras na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111984529457062573?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111984529457062573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111984529457062573&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111984529457062573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111984529457062573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/06/in-paradisum-por-enquanto-6.html' title='In Paradisum... por enquanto - 6'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111869377313562530</id><published>2005-06-13T17:02:00.000-03:00</published><updated>2005-06-13T17:21:11.973-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 5</title><content type='html'>&lt;img src="http://users.ach.sch.gr/pchaloul/anagennisi/Botticelli-spring-Afrodite.jpg" height="475" weight="353"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a veria como a mais deslumbrante das mulheres. A mais bela e formosa figura feminina sobre a face da terra. Sua imagem seria tão real quanto o sol que brilha acima de nós, e tão real quanto sonho ou a fantasia. Um rosto angelical, divino, imutável, incomparável. Branca, doce e macia. Sentiria no ar um perfume que o faria levitar. Embriagar-se-ia com seu néctar, o qual transbordaria louca e freneticamente, correndo em sua direção. Ele a desejaria. E então, quando pudesse se aproximar um pouco mais, num momento em que seus olhos estivessem já adaptados a tamanho brilho, ele enxergaria o meu nome escrito em sua boca. Veria minha face desenhada em seus olhos, e perceberia que aquele doce e envolvente perfume tem em mim sua única razão de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito do que ele pudesse pensar ou fazer, ela seria apenas minha. Eternamente minha. Apaixonadamente minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá – Henri beijou-lhe o rosto sutilmente. Seu olhar era dissimuladamente calmo. Por dentro, sabia eu, um turbilhão de desejo, ódio, e inveja o corroia.&lt;br /&gt;- Isso vai lhe fazer mal meu amigo – disse-lhe olhando bem fundo em seus olhos. Vi quando, após ter-lhe dado aquele beijo, o qual ele envolveu em uma falsa despretensão, esticou o rosto, buscando seu pescoço. Queria sentir o seu cheiro, inspirar a sua essência.&lt;br /&gt;- Uma mulher como esta só pode me trazer o bem, eu acho – Catarina riu timidamente. Alguns dias atrás eu teria acreditado que ela estava realmente envergonhada. Mas agora já a conhecia um pouco mais para saber na verdade ela sentia-se orgulhosa e imensamente feliz. Um homem tão belo, charmoso e sedutor. Deve ter todas mulheres a seus pés. Mas hoje, sou eu quem o tem aos meus pés.&lt;br /&gt;- Parece ainda mais bonita agora, amor – pois ela estava bem ereta, com uma postura mais altiva. Nada como alimentar o monstro da vaidade que vive dentro de nós. Ele faz maravilhas.&lt;br /&gt;- Bom, pensei que poderíamos jantar aqui mesmo. Mas achei que seria meio monótono. Eu fico aqui a maior parte dos meus dias. Acordo, almoço – nem todos os dias, é certo – janto e durmo aqui. Aqui também eu amo – olhei para Catarina, fazendo uma pausa no meu digamos, discurso. Segurei o olhar nela por uns instantes, e logo em seguida fitei meu adorado amigo Henri. Percebi que ele já havia começado o seu jogo. Tolinho! Eu já estava jogando há bem mais tempo que ele – Mas como dizia, estou um pouco cansado de ficar aqui. O que sugerem?&lt;br /&gt;- Por que não vamos até a casa de Catarina. Podemos conhecer muito da pessoa se conhecermos – e soubermos olhar com os olhos certos – o ambiente em que vivem.&lt;br /&gt;- Já estivemos lá não é meu amor? Sugiro um campo neutro. Não deve ser a casa de nenhum de nós aqui.&lt;br /&gt;- Mas por que isso? Estamos na sua casa, amigo. Podemos ir até a minha e passarmos agradáveis momentos lá. Depois vamos até a casa da Catarina, onde terminaremos o dia.&lt;br /&gt;- Por mim tudo bem. Vou onde vocês quiserem – objetou Catarina distraidamente.&lt;br /&gt;- Não sei... também não quero ir a restaurantes, nem ao shopping. Muito menos a casas noturnas. Não ainda.&lt;br /&gt;- Vamos até minha casa. Pouco importa o ambiente. O que vale é a companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menegucci e Giuliano (amigos que dividem a casa com Henri, sobre os quais eu já falei aqui, no post “Delícias de um domingo quente”, de 07/02/05) não estavam em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos pela porta principal, vindos do elevador social. O espaçoso apartamento exibia uma arrumação impecável. Não havia absolutamente nada fora do lugar. Percebi que Catarina estava encantada com o apartamento. Mal sabia ela que isso era apenas a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, como você tem bom gosto! É tudo tão lindo! Olhem isso – Catarina apontou para alguma bobagem qualquer vinda da Índia, algo extravagante, exagerado. Na minha casa ficaria muito melhor. Deve ter apreciado muito mesmo o belo – eu admito – e enorme objeto de decoração, pois o observava com incrível curiosidade. Não contente em apreciá-lo com os olhos, esfregava-o sem parar, como que querendo certificar-se a todo momento de que o que via era real.&lt;br /&gt;- Você gostou? Acho tão cafona, amor – ela levantou-se imediatamente, recompondo-se, um tanto envergonhada, arrisco-me a dizer. Lembrou-me uma criança quando é pega fazendo arte, ou alguém que se dá conta de que estava fazendo alguma bobagem.&lt;br /&gt;- Achei simpática, respondeu.&lt;br /&gt;- Essa peça foi trazida da Índia. Vejam como é bem trabalhada. Paguei uma nota por ela, e quase o triplo para fazer com que chegasse até aqui. Mas venha Catarina, quero lhe mostrar o resto da casa – Henri a pegou pelas mãos e a conduziu por todo o apartamento, gabando-se dos mínimos – e belos – detalhes, sempre exaltando seu bom gosto e seu senso estético apurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era curioso seu comportamento. Primeiramente, ele introduzia Catarina em determinado cômodo da casa. Fazia com que ela tivesse uma vista geral de tudo. Enquanto isso, ele a observava atentamente, deixando que ela fosse na direção de algo que lhe chamasse mais a atenção. Quando via sua expressão de encanto, imediatamente dava os créditos da obra. Eu quem escolhi, dizia, eu que pensei em colocar esta peça aqui, eu tive o bom senso de comprar esta, pois o meu amigo, um que divide o apartamento comigo – ah, ele não tem o meu gosto – ele queria uma outra, tão brega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é tão fresco. Por que não deixa esses pormenores para as mulheres, Henri?&lt;br /&gt;- Ora amigo... Porque para as mulheres eu deixo a cama, as jóias e os vestidos caros – Catarina deu uma leve risada. Mas que droga! Por que fui dizer aquilo? Já não era a primeira vez que cometia esse erro.&lt;br /&gt;- Suas mulheres são deusas ou são seres humanos?&lt;br /&gt;- Se as suas são lavadeiras, cozinheiras, passadeiras, babás, e além de tudo, decoradoras, o problema é seu. As minhas são deusas. Nada mais justo que fazer daqui o seu Olimpo – Antes que Catarina se derretesse com essas palavras, adiantei-me em dizer:&lt;br /&gt;- Este é o seu problema Henri... “minhas mulheres” – Fui até Catarina e a envolvi com meus braços – Eu tenho apenas uma. E acredite, as deusas também gostam de ter alguma ocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim uma vitória. Ele não soube o que responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111869377313562530?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111869377313562530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111869377313562530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111869377313562530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111869377313562530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/06/in-paradisum-por-enquanto-5.html' title='In Paradisum... por enquanto - 5'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111760040258448349</id><published>2005-06-01T01:02:00.000-03:00</published><updated>2005-06-05T15:41:36.613-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 4</title><content type='html'>&lt;img height="300" src="http://www.sobreasaguas.com.br/aguia/aguia26k.jpg" weight="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde estava podia avistar o movimento da rua e as pessoas que por ela transitavam, assim como todos os que entravam e saiam do restaurante. Pessoas apressadas, empenhadas em engolir rápido a comida a fim de cumprirem seus restritos horários. Homens de negócios, que discutiriam naquelas mesas o futuro de uma grande empresa. Homens de negócios menos importantes, que esperavam amigos para uma conversa trivial. Mas, tratando-se de Henri, a conversa nunca é trivial, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi quando ele chegou. Não dirigia mais seu Audi A3. O que havia feito com ele? Não fazia nem mesmo um ano que o havia comprado. Era um carro ainda mais bonito, com desenho moderno, arrojado, mas não pude identificar o modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava vestido impecavelmente bem, elegante e distinto como sempre. Assim que entrou, assumiu seu costumeiro ar altivo. Vi quando encheu o peito e ergueu o queixo. Naquele momento ele pensava: Eu tenho dinheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado, vai acabar tropeçando no cadarço do sapato.&lt;br /&gt;- Eu não sou você...&lt;br /&gt;- Desculpa ir perguntando assim logo de cara, mas eu não resisto... onde está seu Audi?&lt;br /&gt;- Ah, aquilo? – falou com desprezo forçado na voz – já estava na hora de trocar... Pra que ficar com um A3 se eu posso ter um A4? Mas você já está botando olho gordo!&lt;br /&gt;- Pagou quanto?&lt;br /&gt;- Ah, não custou muito mais.&lt;br /&gt;- Vou ser seu sócio. O que acha? 50% pra cada? – Henri soltou uma gostosa risada.&lt;br /&gt;- Nesse tipo de negócio não aceitamos sócios, a menos que a cliente queira, exija, aí é diferente. Só que nesse caso, ela paga a mesma quantia, só que pra dois.&lt;br /&gt;- Sabe que eu não teria coragem. Aliás, sabe o que penso a respeito.&lt;br /&gt;- Ora, você e suas frescuras – achei que o fresco aqui fosse outro, pensei.&lt;br /&gt;- Quem é a moça da vez?&lt;br /&gt;- Seu nome é Francesa. Loira, alta, magra, olhos castanhos, simpática, carinhosa, e rica, riquíssima. E você sabe, não é exatamente uma moça.&lt;br /&gt;- Sei, já é uma senhora.&lt;br /&gt;- Exatamente – Henri mantinha um ar de deboche enquanto falava. Aliás, essa era uma característica sua. Poucas foram as vezes em que vi seus lábios completamente fechados, numa atitude séria – Já beira os sessenta, coitada. Ela morre de vergonha de assumir – você sabe como são as mulheres – mas outro dia consegui ver no RG dela. Tem já 56. Vai fazer 57 em agosto.&lt;br /&gt;- Ela é exclusiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que sim. Mesmo que inicialmente ela não quisesse ser, ele usaria de todas as artimanhas masculinas, as quais ele conhecia e dominava muito bem, para fazê-la pensar que seria a única, e para fazer com que ela o tornasse o único. Entretanto, ela só se iludiria a julgar-se como a única mulher de Henri. Ele tinha vigor demais para contentar-se com uma velha. Mas eu entendia meu amigo. Quando se tem uma boa oportunidade, quando você se vê diante do negócio das suas vidas, o melhor a fazer é agarrar-se a ele com todas as forças. Assim como aqueles senhores da mesa ao lado não perderiam a chance de ganhar mais um importador de seus produtos, Henri não deixaria que sua galinha dos ovos de ouro escapasse de suas mãos tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aposto que ela é viúva e nunca mais encontrou quem a quisesse, não é mesmo? A situação deva estar ruim para ela. Ela é feia?&lt;br /&gt;- Não é feia, mas já está passada, coitada, afinal, já não é mais nenhuma mocinha.&lt;br /&gt;- Eu não entendo. O que levaria uma coroa rica a sair com alguém como você?&lt;br /&gt;- Elas querem caras jovens, meu amigo...&lt;br /&gt;- Eu continuo perguntando: o que esse tipo de mulher quer com caras como você? Há tantos jovens por aí, de bom e mau caráter, interessados ou não no dinheiro dela.&lt;br /&gt;- Cara, escuta só uma coisa: quando se é bom, quando você sabe fazer bem, mas bem mesmo, aquilo que você se propôs a fazer, então você tem fama, seu nome corre. É a famosa propaganda boca-a-boca. Já ouviu falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria discutir e lhe dizer que voltasse atrás, que viesse comigo trabalhar como qualquer pessoa normal e decente. O que estou fazendo, meu Deus? Pensei, sobressaltando-me. Não sou preconceituoso, não sigo regras e tão pouco partilho dos tabus da sociedade. Sou liberal, de mente aberta. Todo tipo de relacionamento é valido, haja amor ou não. O que importa é que atinjamos nossos objetivos. Muitos buscam amor num relacionamento. Muitos outros buscam sexo. Há os que buscam dinheiro, e aqueles que desejam proteção. Há também os que só querem ter alguém ao seu lado, apenas por ter. Eu não carrego em mim qualquer tipo de preconceito, pensei firmemente, obrigando-me a sentir toda a veracidade dessas palavras. Mas, naquele dia, por algum motivo, eu estava incomodado com as atitudes de Henri, com seu jeito de ser e de agir, com sua forma bizarra de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já te falei da Catarina? – melhor desviar o assunto para mim, e esquecer dele. Eu ao menos era saudável, tinha uma vida saudável, e havia iniciado um relacionamento normal e saudável... Eu sou normal e saudável? Eu? A quem eu quero enganar, meu Deus?&lt;br /&gt;- Não, quem é?&lt;br /&gt;- Uma pessoa de carne e osso, mas de sonho e ilusão ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- Ela é rica?&lt;br /&gt;- Não, ela não é rica. Na verdade eu nem sei se ela é rica, não estou preocupado com isso.&lt;br /&gt;- Você está tão mudado, cara – olhou para mim com seu costumeiro ar de riso, depois, ficando quase sério, continuou: - Acho que se esqueceu quem sou, e se esqueceu do que você próprio é. Não precisa fingir pra mim.&lt;br /&gt;- Eu não estou fingindo – respondi indignado – e nunca fui tão sincero em toda minha vida. Se não estivesse sendo sincero, lhe diria que ela é uma executiva rica e poderosa que não vive mais sem mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos alguns instantes em silêncio. Observava o rosto de Henri. Ele tinha traços belos e harmoniosos. Seus cabelos estavam entre o loiro e o castanho claro. Sua pele era branca, mas um branco amarelado pelo sol das piscinas que ele tanto adorava. E na água ele mostrava seu corpo bem desenhado, seu porte altivo. Vestido ele também era belo e charmoso. Acho que eu sabia porque uma velha de sessenta anos pagava tão caro para tê-lo consigo. Ela, assim como eu, sabia que só o teria de duas formas: com muito dinheiro no bolso, ou com trinta anos a menos. E no caso dela a primeira opção foi a única que lhe restou. E ele realmente sabia cumprir muito bem aquilo que se propôs a cumprir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O São Paulo perdeu ontem...&lt;br /&gt;- E o que eu tenho a ver com isso?&lt;br /&gt;- Eí! calma aí, cara! Pra que essa grosseria?&lt;br /&gt;- Eu estou falando de coisas sérias, e você vem me falando que o São Paulo perdeu ontem?&lt;br /&gt;- Tudo bem, tudo bem, você venceu. Quando vai me apresentar a Catarina?&lt;br /&gt;- Qualquer dia desses eu lhe apresento. Ela não tem dinheiro mesmo, não tenho o que temer.&lt;br /&gt;- Eu não dou em cima das namoradas dos meus amigos...&lt;br /&gt;- Uhum, eu finjo que acredito.&lt;br /&gt;- Você está terrível hoje.&lt;br /&gt;- Não, você é que está... Vamos esquecer a Catarina, e vamos esquecer as suas velhas também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111760040258448349?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111760040258448349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111760040258448349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111760040258448349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111760040258448349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/06/in-paradisum-por-enquanto-4.html' title='In Paradisum... por enquanto - 4'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111643793813477398</id><published>2005-05-18T14:15:00.000-03:00</published><updated>2005-06-05T15:41:05.486-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 3</title><content type='html'>&lt;img height="414" src="http://www.emeagwali.com/pablo-picasso/photos/pablo-ruiz-picasso-biography-painting-picture-guernica-cubism-self-portrait-art-biografia-9.jpg" weight="327" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pablo Picasso. Girl Before a Mirror. 1932. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Oil on canvas, 64 x 51" &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(162.3 x 130.2 cm). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;The Museum of Modern Art, New York.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que comi demais nesse almoço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina e eu estávamos deitados no seu sofá, bem próximos um ao outro, com nossas pernas entrelaçadas. Mas ao invés de prestar atenção ao filme, ela mantinha-se um tanto distante, com ar pensativo e preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você comeu tão pouco. Se minha avó estivesse conosco naquele restaurante, diria que você come como um passarinho.&lt;br /&gt;- Ai... sua avó deve ser uma velhinha tão simpática... aposto que se parece com você, só que bem mais velha... Ela com sua pela já enrugada, cabelos brancos e ralos, um olhar terno e carinhoso...&lt;br /&gt;- Bom, na verdade minha avó não se parece muito comigo.... Pelo menos não atualmente – Catarina deu uma leve risada, e apressou-se em afirmar:&lt;br /&gt;- Sim, querido, eu quis dizer que vocês devem ter traços parecidos. E sem dúvida ela deve ser uma linda velhinha.&lt;br /&gt;- E ela é mesmo, assim como você será também um dia.&lt;br /&gt;- Ai, vira essa boca pra lá, quero morrer antes se chegar aos quarenta – Olhei-a admirado. Estaria falando sério? – Deus que me livre do dia em que me olharei no espelho, e só o que verei será um rosto velho e cansado, marcado por rugas e mais rugas.&lt;br /&gt;- Você tem medo de envelhecer?&lt;br /&gt;- Claro, quem não tem, querido? Eu tenho consciência de que não terei esse rostinho lindo e lisinho por toda a eternidade. Um dia serei velha e gasta, e ficarei jogada a um canto, sozinha e esquecida.&lt;br /&gt;- Catarina, você não pode estar falando sério! Jogada e esquecida? Isso é um absurdo! Você não corre esse risco – e ao dizer tais palavras, beijei-lhe nos lábios macios e ainda muito jovens, fazendo-a esquecer momentaneamente de sua idade. Espantei-me com sua vaidade, com o medo cruel que tinha de envelhecer. Mas acho que também eu carregava o mesmo medo, o mesmo receio de ver os anos passarem e com eles a beleza da juventude.&lt;br /&gt;- Mas não desvie do assunto. Minha velhice ainda demorará a vir. O que me preocupa agora são as calorias a mais que eu ando ganhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina levantou-se subitamente, arrastando-me consigo até um grande espelho fixado na parede do seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhe! - disse-me enquanto erguia a camiseta e olhava a própria barriga, dando voltas e mais voltas pelo espelho, fazendo todo tipo de poses – O que acha?&lt;br /&gt;- Acho que você está, ou melhor, que você é linda, meu amor, quantas vezes terei que lhe repetir isso?&lt;br /&gt;- Jura? – Olhou-me desconfiada, ressabiada, e mais uma vez colocou-se a dar voltas em frente ao espelho – Me sinto tão gorda...&lt;br /&gt;Não pude conter o riso diante do seu comentário. Catarina era magra, magérrima. Como podia acha-se gorda?&lt;br /&gt;- Mas do que me achar gorda, eu me sinto gorda, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não podia entender. Ela tinha um belo corpo, como já disse tantas vezes aqui, era magra, até um pouco demais, pra falar a verdade. Todo seu corpo era perfeita e harmoniosamente desenhado, sem que nada houvesse de excessivo ou ficasse fora do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ela não fosse sempre assim. De certo, ela era uma moça magra, sem tendência para ganhar peso, e sempre comera de tudo que gostava, sem preocupa-se com as calorias. Mas agora ela não estava mais sozinha. Seu rosto e seu corpo não seriam mais objetos de observação exclusivamente seus. Havia mais alguém que repararia neles, que os examinaria atentamente. Eram olhos masculinos que agora voltariam suas atenções para ela, para seu rosto e seu corpo. Estes olhos se agradariam com a visão de uma bela mulher, e a cobiçaria, e ela veria meus olhos cheios de desejo e paixão. E se sentiria feliz, satisfeita, realizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas talvez esses mesmos olhos me vejam feia e gorda&lt;/em&gt;, ela certamente pensaria. E o medo de ver neles nojo e desaprovação a dominaria. E então ela faria de tudo para ter o peso ideal, o corpo ideal. E faria de tudo para certificar-se de que eu achava que ela estava de fato no peso ideal, e com o corpo ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdido em minhas divagações, nem percebi que ela já não mais estava diante do espelho. Sentada na cama, Catarina entretinha-se com uma pequena caderneta que trazia nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso? – perguntei sentando-me ao seu lado.&lt;br /&gt;- Aqui eu tenho anotadas as calorias que todos os alimentos contém. Veja, acho que de fato abusei hoje...&lt;br /&gt;- Desde quando você tem isso?&lt;br /&gt;- Uma amiga me arranjou...&lt;br /&gt;- Mas quando?&lt;br /&gt;- Por que isso tem importância?&lt;br /&gt;- Por nada, só queria saber...&lt;br /&gt;- Semana passada, acho, não sei ao certo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina levantou-se e prostrou-se a minha frente, e ficou alguns segundos assim, parada diante de mim, olhando-me, investigando-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só se eu...&lt;br /&gt;- Só se você o que?&lt;br /&gt;- Tomar um remedinho...&lt;br /&gt;- Do que você está falando?&lt;br /&gt;- Ai, amor, você não me entende... eu não posso ficar com essas calorias a mais aqui dentro, que só me trarão gordura e desgosto... pensei em tomar um laxante.&lt;br /&gt;- Para com isso, mas que coisa! – levantei-me alterando a voz. Olhei bem para ela, e procurei dizer com toda a sinceridade do mundo:&lt;br /&gt;- Você é linda, divina, maravilhosa, perfeita, uma deusa, um monumento, o que mais quer que eu diga para que você se convença de que não é gorda, não é feia e de que eu estou satisfeito por você ser exatamente como é?&lt;br /&gt;- Mais nada... eu acredito em você – e pousou seu dedo indicador sobre minha boca, como que para calar-me. Aproveitei a proximidade de sua cama para mostrar-lhe que tudo o que havia dito era a mais pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me sentia satisfeito por tê-la para mim, por possuir seu corpo. Era maravilhoso poder percorrê-lo com os olhos, com a boca, com meu toque. Mas para mim era ainda mais satisfatório ver o quanto ela se preocupava em me agradar e satisfazer. Como se torturava para ser a mulher ideal, para ser a minha mulher ideal. Eu a tinha em todos os sentidos, com todos os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111643793813477398?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111643793813477398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111643793813477398&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111643793813477398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111643793813477398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/05/in-paradisum-por-enquanto-3.html' title='In Paradisum... por enquanto - 3'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111544501577024177</id><published>2005-05-07T02:12:00.001-03:00</published><updated>2005-06-05T15:40:34.636-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto - 2</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.yurozart.com/art/works/sty_2139_big.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Share My Love"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.yurozart.com&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia encontre as respostas para tantos porquês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina perguntou-me algo a respeito da comida, o que me situou novamente neste mundo, pois mais uma vez eu me aventurava por um mundo interior, habitado por uma imensa população de pontos de interrogação. Estes viviam num lugar inóspito e deserto, e tinham que lutar contra um inimigo terrível, extremamente cruel e sanguinário, que queria acabar com eles a qualquer custo: o conhecimento de si mesmo. Os pontos de interrogação o temiam como um cristão teme o diabo, mas eles sabiam que um dia seriam enfim massacrados por este abominável inimigo. E eu, vivendo numa esfera mais superficial de consciência, apenas sentia as dores desta batalha, retorcendo-me todo a cada golpe desferido pelos soldados de ambos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, adorei o almoço. A comida estava ótima, mas ele não teria sabor algum se você não estivesse aqui comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao sentir o toque de suas mãos e seu doce olhar, senti que dentro de mim algo se acalmava, e os soldados desistiam de lutar pelo que fosse, e entediam que nem só de luta vive o homem, e que nós não precisamos de respostas para todas as coisas da vida. Talvez não haja mal algum em deixar que alguns pontos de interrogação sobrevivam para contar a história. E a cada segundo que se estendia, seu olhar intensificava-se mais e mais, tornando-se mais meigo, mais profundo e mais perscrutador. Talvez perscrutador demais para o meu gosto. Desviei finalmente o olhar, embora desejasse ter aqueles olhos a me admirar por toda a eternidade. Mas eles estavam tornando-se muitos curiosos. Melhor que não invadissem certos espaços. Não sei se a visão de certas paisagens lhes agradaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que tal tomarmos um café? Sugeriu-me animada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... eu tenho uma idéia melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que? – Catarina olhava-me curiosa, enquanto envolvia meu corpo em seus braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já conheceu minha casa, mas eu ainda não conheço a sua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rumamos para um simpático e agitado bairro, povoado por casas típicas da classe média. Dentre todas elas, porém, uma era especial. Não era grande, nem tinha um enorme jardim. Era uma residência térrea, com grades brancas e garagem para dois carros. As paredes eram pintadas de um tom muito claro de rosa. No pequeno jardim, a grama servia de tapete para algumas flores rosas e amarelas. A construção era simples, mas todos os elementos externos da casa foram combinados e arranjados de maneira muito meiga. A parede parecia ter sido pintada no dia anterior, assim como as plantas do pequeno jardim pareciam ter sido cortadas há um dois dias atrás. Mas que fique bem claro que, ao contrário do que possa parecer, nada era cafona. Catarina teve bom senso e soube usar de bom gosto ao temperar os elementos que compunham a fachada de seu modesto lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrarmos, a mesma ordem e arrumação impecável fazia-se novamente presente. Não havia na casa móveis caros e tão pouco a decoração era luxuosa. Entretanto, tudo parecia exalar simpatia, a mesma simpatia que havia encontrado do lado de fora. Fomos diretamente para seu quarto, que assim como os outros cômodos, não era nem muito grande nem muito pequeno. Um tamanho razoável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitamos no colchão macio, por sobre a colcha áspera e quente. E novamente nossos corpos se encontraram, sedentos de amor e de sexo. As roupas nem mesmo foram tiradas completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas unhas eram como garras afiadas que me cortavam a pele. Como animal faminto, devorava seu corpo, sugando-lhe e tirando dele tudo o que ele pudesse me oferecer. Naquele momento não havia nada mais ao meu redor, ou dentro de mim. Eu era um corpo e Catarina era meu sustento. No final, estava absolutamente realizado. Pude ver em seus olhos que também ela estava realizada. Também ela saiu por uns minutos deste mundo, e fez do meu corpo seu sustento, seu chão, sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111544501577024177?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111544501577024177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111544501577024177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111544501577024177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111544501577024177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/05/in-paradisum-por-enquanto-2.html' title='In Paradisum... por enquanto - 2'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111440898353400607</id><published>2005-04-25T01:26:00.000-03:00</published><updated>2005-06-02T15:00:57.406-03:00</updated><title type='text'>In Paradisum... por enquanto</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.vvoid.com/art/tlinton54.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar, percebi que meu corpo repousava sobre nuvens brancas e macias. Tão logo livrei-me do torpor do sono, dei-me conta de que na verdade estava deitado sobre minha velha cama. Mas com que alegria via mais uma vez aqueles lençóis, já tão gastos pela solidão! Agora eles estavam mais macios e sedosos. Já não eram ásperos como outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me na cama, enquanto espreguiçava-me e esfregava os olhos, tentando livrar-me de uma vez por todas do sono. Com o olhar, percorri todo o ambiente. Como de costume, havia uma dezena de livros sobre a estante. Também sapatos, calças e camisas jogadas por todos os cantos. Entretanto, nada daquilo parecia aborrecer-me aquela manhã. Não me importava que fosse domingo, e que somente no dia seguinte Rose estaria lá para desfazer a bagunça. A desordem da minha vida era agora tão bela e radiante quanto o sol. Não era mais preciso que uma alma salvadora viesse da luz para indicar-me um caminho, dar-me um rumo, pois essa alma já havia chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, os pássaros cantavam felizes e animados como jamais havia visto, dando ainda mais cor a esse cenário novo que se desenhava perante meus olhos. Mas... de onde vinham esses pássaros? Não me lembro de tê-los ouvido anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um barulho vindo do banheiro chamou-me a atenção. Fui até lá e vi que uma bela mulher banhava-se no meu chuveiro. Seu corpo era realmente belo, talvez mais do que eu merecia. Suas feições eram suaves e delicadas. Olhou-me carinhosamente, estampando no rosto um belo sorriso. Sem gestos nem palavras, convidou-me a entrar, e debaixo da água quente (mas refrescante) nossos corpos se encontraram mais uma vez, numa perfeita sintonia, como eu jamais havia experimentado anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seus olhos são tão lindos, Catarina – ela me sorriu envergonhada. Depois, encostando o dedo indicador nos meus lábios, disse-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fale nada agora... tudo o que disser será pouco, muito pouco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos mais tarde, após terminarmos o banho, fomos até a cozinha, onde uma mesa vazia nos esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem vai fazer o café? – perguntei com um sorriso no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não olhe para mim, pelo amor de Deus. Sabia que era bom demais para ser verdade. Depois disso, você nunca mais vai querer olhar na minha cara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fez um café, que estava delicioso, apesar de sua modéstia forçá-la a dizer o contrário. Juntos fizemos umas torradas. No final, a cozinha estava bagunçada e cheia de farelos de pão. Mas nada disso importava naquele momento. Os farelos de pão que antes seriam um lixo no chão da cozinha, agora eram apenas migalhas sem importância, que mais tarde ou mesmo somente no dia seguinte seriam varridas. Os farelos eram apenas isso agora: farelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer fazer agora? – perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... – fez cara de indecisa – ficar com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu não sei se sou uma boa companhia... talvez você precise de algo mais pra se distrair, se não vai se entediar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, seu bobinho, eu nunca vou enjoar de você. Mas já que insiste, podíamos dar umas voltas por aí, o que acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho uma ótima idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes de sair, vi sobre o móvel da sala uma pequena caderneta. Ela já estava velha e gasta pelo uso. Fui até ela e dei uma rápida olhada em suas páginas. Tantos endereços, telefones, informações sobre o físico e a personalidade... eu anotava todos os mínimos detalhes de cada corpo, de cada alma por mim desejada. Pessoas do trabalho, da academia, amigos de amigos e até da padaria. Dias de cobiça e desejo, perdidos em inúteis maquinações, bolando planos para possuir aquele corpo, ter aquela boca e olhar bem de perto naqueles olhos. Mas agora eu não precisava mais disso. Com desdém, joguei a caderneta novamente sobre a estante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos de mãos dadas pela cidade, num clima de muito romantismo, num romantismo que eu não sabia possuir. Almoçamos juntos também. Tudo parecia colaborar conosco aquele dia. Aquele era um dos meus restaurantes preferidos, e justamente uma de minhas mesas prediletas, quase sempre ocupada, estava vaga. O garçom estava mais sorridente e a comida muito mais gostosa. Durante o almoço conversamos bastante e trocamos algumas confidências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas agora me diga... sei que não se deve perguntar, porque dizem que isso a gente sabe... mas foi bom? bom mesmo? Segurei na mão dela e olhei dentro dos seus olhos antes de responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi maravilhoso... E pra você? Foi bom? Foi tão bom quanto com os outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, foi muito, muito bom... quanto aos outros, por que falar deles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela havia recuado. Por que hesitara em falar dos "outros"? Talvez não quisesse me magoar dizendo-me que havia outros melhores. Talvez eu tivesse sido muito bom, superior a muitos outros, mas havia alguns, ou então apenas um, que era o melhor. Era seu príncipe encantado, o homem de seus sonhos, que apesar disso a magoou e partiu seu coração. Mas ainda assim ele era melhor, era insubstituível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra mim você foi uma das melhores, das tantas que já tive – Ela me sorriu satisfeita e continuou a comer. Por que eu havia dito aquilo? Ela fora a melhor, de poucas. Foi um presente, uma surpresa, que veio de onde menos esperava. O que começou como brincadeira parecia agora mais sério do que jamais poderia imaginar. Mas ela teve outros melhores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem algo diferente, algo que não sei definir... sua pele... eu gosto tanto de tocá-la. Depois de tanto cair e bater com a cara no chão, achei alguém como você... parece mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala como alguém com muita experiência. Aposto que me achou meio bobinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, de maneira nenhuma. Mas confesso que tenho um vasto currículo, se é que me entende – Rimos do meu comentário. Mas será que ela estava sendo sincera ao dizer que temia ter parecido inexperiente? Ela era inexperiente? A impressão que tive é que durante todo o tempo estava sendo controlado por ela, e não o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo a conversa se desviou para outros caminhos. Que importância tinha isso tudo na verdade? Por que para mim isso era importante? Por que, por que?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111440898353400607?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111440898353400607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111440898353400607&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111440898353400607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111440898353400607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/04/in-paradisum-por-enquanto.html' title='In Paradisum... por enquanto'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111353874191039804</id><published>2005-04-15T00:54:00.000-03:00</published><updated>2005-05-10T01:36:20.856-03:00</updated><title type='text'>Na estrada - Parte 6</title><content type='html'>&lt;img height="341" src="http://www.artlebedev.ru/studio/posters/picasso/picasso-1280x1024.jpg" weight="426" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta estava sem a tranca. Abri a mesma vagarosamente, tentando não fazer nenhum barulho. Entretanto, meus esforços foram em vão. Josefa surgiu sonolenta a minha frente, ainda tentando abrir os olhos, esforçando por situar-se neste mundo. Vestia uma camisola velha, com uns furos na barriga. Tinha os pés forrados por meias pretas de lã, e calçava um chinelinho de couro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde estava, filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui dar umas voltas - enquanto falava, rumei para o quarto onde havia dormido na noite anterior. Josefa seguiu-me, não satisfeita com a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas dar voltas onde? Não vejo o que possa ter feito na rua a esta hora da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje é sábado - sentei-me na cama, esperando que ela se desse por satisfeita com esta última informação. Tudo que queria naquele momento era vestir meu pijama e dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os jovens adoram sair aos sábados, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, exatamente - Talvez estivesse sendo grosseiro. Senti uma leve dor na consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui num show aqui perto, ver a apresentação de um grupo de rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É perigoso andar sozinho a noite. Você não tem medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nessa cidade? De jeito nenhum! Acho muito improvável que algo de ruim aconteça por aqui - Josefa assumiu mais uma vez aquele seu já conhecido ar melancólico. Desviou o olhar para o chão, cruzando os braços e encolhendo levemente o corpo. Quando me olhou novamente, senti que de seus olhos vinham tristeza e reprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui pode ser muito mais perigoso do que você pensa. Infelizmente não estamos no paraíso, filho, do qual nossos pais foram expulsos há tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que você está falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falo que não deve-se descuidar jamais. Mesmo quando tudo parece calmo, na verdade, não está. Somente aqui, por detrás destas paredes, você estará seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu sei. Mas ainda é muito cedo, você não vai se deitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas antes venha até a cozinha. Vou lhe esquentar um copo de leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me na pequena mesa que ficava próxima ao fogão, e dali fiquei observando-a trabalhar. Em vários momento ela assumia um ar sério e distante, para instantes depois, voltar-se para mim, exibindo-me um largo e franco sorriso. Talvez, naquele momento, eu fosse sua ponte para a realidade, ou para um realidade menos cruel que a existente em sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ela fervia o leite, percebi que um rato enorme passeava pela cozinha, indo de um armário para o outro, passando para debaixo do fogão, da geladeira, e da mesa também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há ratos aqui. Você tem não ratoeiras? Se quiser, posso armá-las para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De jeito nenhum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas...? Vai deixar que os ratos andem por toda casa? Ratos são animais sujos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles só ficam no chão, e não fazem mal a ninguém. Ao menos me fazem companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já devia ter imaginado. Se quer companhia, por que não pega um gato ou um cachorro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já tive animais de estimação, mas desde que Angélica foi embora, não quis mais. Aqui está seu leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, acordei depois da dez. Fui despertado por uma voz rouca a arrastada. Sua dona era senhora bastante gorda, de cabelos louros e olhos grandes e saltados, que conversava com Josefa na sala, ocupando, sozinha, quase que todo o sofá. Estava de pijama, todo despenteado e provavelmente com mau-hálito. Para ir até o banheiro me pentear a escovar os dentes, teria, obrigatoriamente, que passar pela sala. Entretanto, não queria ser visto naquela situação. Troquei de roupa, dei uma ajeitada rápida no cabelo e coloquei na boca uma balinha bem ardida. Logo em seguida sai do quarto, fingindo dirigir-me ao banheiro. Na verdade, até gostaria de chegar até ele, mas tinha absoluta certeza de que seria interceptado no meio do caminho. A espaçosa senhora olhou-me perplexa e curiosa. Pareceu preocupada quando Josefa lhe disse que eu era um amigo de Angélica. Fui obrigado a sentar-me ali com elas, e ouvir uma longa conversa sobre bordado e crochê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Natalina, espere só um instante; vou passar um cafezinho e já volto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo, assim vou poder conversar um pouco com o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos a sós, a mulher gorda e eu. Ela me olhou séria e preocupada. Depois de um tempo, finalmente me disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você, na verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... sou um amigo de Angélica, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu rapaz - Natalina inclinou-se um pouco, tentando aproximar-se mais de mim - você realmente sabe onde está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não me disser nada, serei obrigada a chamar a policia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Polícia? Mas isso é ridículo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então me diga quem é você. Neto dela sei que não é. Tanto o Gerson quanto o Gilson moram a quilômetros daqui, e só vem visitá-la raramente. Conheço seus filhos e sei que você não é um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É como disse, sou amigo de Angélica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai me dizer a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer mesmo saber? Eu nem conheço ela. Eu não sou daqui, meus pais nem sabem que eu estou aqui. Eu vim pra essa cidade antes de ontem; nós nos encontramos, por um acaso do destino, e como eu não tinha onde ficar, aceitei seu convite para vi pra cá - Natalina olhou-me preocupada. Ficou um tempo pensativa, quando enfim me disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que pretende fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei... você conhece a Angélica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A filha dela? Sim, eu conheci. Era uma linda garota. Mas, eu não sei se você está sabendo... Angélica morreu; e isso já faz muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como? Ontem mesmo ela me falou sobre ela. Disse-me que Angélica havia se mudado para longe, para um lugar onde ela poderia estudar, onde seria melhor para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Angélica morreu há muitos anos. Ela era a caçula da família. Foi estuprada e morta, quando voltava da escola. Ela fala da filha, ou melhor, de todos os que já morreram, como se estivessem vivos, como se fossem voltar um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é o que dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou uma antiga vizinha. Meses depois da morte de Angélica, ela mudou-se para cá, onde vive de maneira simples, muito mais simples do que realmente poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por isso a chamam de Zefa louca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As pessoas falam o que não sabem, julgam levando em consideração apenas aquilo que está mais claro, mais a mostra. Josefa não é louca; apenas vive de uma maneira a abafar a sua dor. Por algum motivo, esta foi sua maneira de aliviar seu sofrimento. Agora vive aqui, de maneira modesta, neste bairro tranqüilo, tendo por companhia suas plantas e seus animais, mesmo que estes sejam ratos e cupins. Aqui é como se fosse sua fortaleza. Ela se sente segura aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso pra mim é tudo muito confuso - levantei-me alterado - eu... eu não sei quero mais continuar aqui. Pra mim isso é tudo papo furado, ela é louca sim, e você também é. E quer saber? Adeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai correndo pelas ruas da cidade, até que chegasse àquela praça cheia de pombos e de bancos para se sentar e contemplar os pombos, e dar comida a eles. Isso era tão ridículo; eu tinha mais o que fazer! Perguntei a um vendedor de pipocas em que direção ficava a rodoviária. Por sorte tinha no bolso da calça minha carteira, com meus documentos e meu dinheiro. Esperei cerca de três horas até que pudesse pegar o ônibus do meio dia, rumo à capital, rumo à minha casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111353874191039804?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111353874191039804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111353874191039804&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111353874191039804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111353874191039804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/04/na-estrada-parte-6.html' title='Na estrada - Parte 6'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111276768395308021</id><published>2005-04-06T01:08:00.000-03:00</published><updated>2005-04-06T03:08:03.956-03:00</updated><title type='text'>Na estrada - Parte 5</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.wunderblogs.com/xy7htk/archives/orgiadoalexandre.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá as horas se arrastavam. O sol parecia preguiçoso, incerto em continuar o seu trajeto ou parar para um descanso. As folhas das árvores cansavam-se somente de pensar em balançar ao vento, e as borboletas, aquele dia, haviam resolvido voar em um lento compasso. Também as abelhas do jardim trabalhavam sossegadamente, sem a mínima pressa. O mundo resolveu parar para um descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estava habituado a tanta quietude, a tamanho sossego. Acostumei-me com o motor dos carros, com as buzinas no trânsito, com uma vida agitada, na qual não havia tempo para o descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu trabalho era por demais prazeroso para que perdesse meu tempo longe dele. O salário não era tão alto, mas vinha regularmente mês a mês. Bastava que frequentasse as aulas de manhã e soubesse colar no dia das provas. Ser pego, além de ser uma vergonha, uma humilhação sem tamanho, significaria uma demissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu labor era às vezes cansativo. Havia dias que chegava com as pernas doloridas, ou então como dor na raiz do cabelos por ter andado com a cabeça pra fora do carro, a 160 km por hora. Mas ainda que tivesse alguns inconvenientes, era ótimo fazer o que eu fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu trabalho era andar pela cidade, visitando amigos, pegando uma piscina, comendo um churrasco, bebendo umas em plena luz do dia. E jamais descansava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, desde que havia resolvido tirar umas férias naquela aprazível e monótona cidade eu estava desfrutando de longos momentos de descanso. As acomodações que Josefa me oferecera eram muito boas. Sem luxo, mas com muito conforto. Desfrutava de boa comida, que incluía café da manhã, almoço e janta. No entanto, ela não me oferecia ocupação alguma. Adoraria poder voltar à ativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite já havia sobrepujado os raios do sol quando resolvi sair um pouco. Trabalhador como era, não suportei ficar nem mais um segundo sequer no ócio. Além do que, Josefa estava me dando nos nervos com seus papos malucos, cheios de profundidade e de uma suposta sabedoria.&lt;br /&gt;Como não tinha onde ir, voltei àquela praça. Mas não havia nada lá. Nunca houve, na verdade. Só o que encontrei foram os pombos e os vendedores de pipoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ouvir, ao longe, o barulho de uma multidão que provavelmente concentrava-se a frente de um palco, inebriando-se com as canções de um grupo qualquer. A música estava bem alta, mas não conseguia distinguir as palavras que eram cantadas. Rumei em direção ao som. De fato, como havia imaginado, uma multidão reunia-se em volta de um palco, sobre o qual um grupo de rock cantava para o público. As meninas iam à loucura, soltando gritos estridentes e irritantes a todo momento. Misturei-me à massa suada e bêbada. Senti certa repulsa ao perceber as pessoas que estavam a minha volta. Todos ali eram feios, vestiam-se mal e expressavam-se de maneira curiosa, numa linguagem cheia de gírias e expressões chulas. Eles faziam questão de manter a menor distância possível um do outro. Sentia nojo ao encostar em seus corpos suados. Enfim consegui livrar-me do aglomerado humano e achei um lugar mais tranquilo, um pouco mais distante do palco, mas de onde podia ouvir a música perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns metros de mim avistei um grupo de garotas. Eram todas pertencentes àquela massa humana, idênticas à mesma em gestos, palavras e na maneira de se vestir. Percebi que me olhavam, fazendo comentários entre si, os quais sempre vinham acompanhados de risadinhas enigmáticas. Senti meu corpo gelar quando uma delas resolveu aproximar-se de mim. Espantei-me com a naturalidade que tinha ao falar comigo. Talvez tivesse me confundido com algum amigo seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ai! Tá sozinho? Fiz um gesto afirmativo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos curtir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Curtir o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O som. Vem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou-me pela mão e me levou novamente para a multidão. Ela parecia alucinada, tomada pelas ondas sonoras que vinham das enormes e potentes caixas de som. Seu corpo movia-se freneticamente, sem descanso. Inicialmente fiquei imóvel. Ela me olhava intrigada, e através de gestos e olhares convidava-me a participar de sua alegria. Aos poucos fui despindo-me do nojo e da repulsa, até que finalmente permiti que o álcool e o som alto daquela música pesada me dominassem também. Tomada pelo desejo e pela sede de sexo, desimpedida por sua total falta de pudor, ela agarrou-me de forma violenta, beijando-me loucamente, explorando de todas as formas minha boca. Passivamente, entreguei-me sem resistência alguma. Ela não era bonita. Ninguém ali era. Tão pouco estava perfumada. Entretanto, deixei que me beijasse. E a beijei também. Ao menos era uma boca. Talvez não tão bela, nem tão macia. Mas era uma boca atrevida, cálida, que sabia muito bem cumprir com o que se propunha. No mínimo, era uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansada da música e do som alto, arrastou-me para longe dali. Fui parar atrás de um carinho de lanche que, estupidamente, estava fechado. Acho que seu dono preferiu curtir a festa, ao invés de aproveitá-la para lucrar um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia seu corpo quente junto ao meu. Nosso suor se misturava. Ao dar-me conta desse fato, novamente senti nojo. Consolei-me pensando que logo estaria debaixo de um chuveiro.&lt;br /&gt;Não havia mais tempo. Caso não agisse rapidamente, seria devorado. Em menos de dois minutos saciei suas necessidades, cumprindo com meu papel de homem. No auge de seu prazer, arranhou-me as costas com suas unhas de gata selvagem, enquanto verbalizava o mesmo com palavras ininteligíveis e gemidos de dor. Caímos ambos no chão, exaustos e sem energia. Ela estava realizada. Eu estava sujo e fedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111276768395308021?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111276768395308021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111276768395308021&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111276768395308021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111276768395308021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/04/na-estrada-parte-5.html' title='Na estrada - Parte 5'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111224034586959696</id><published>2005-03-31T00:53:00.000-03:00</published><updated>2006-02-27T03:16:37.616-03:00</updated><title type='text'>Na estrada - Parte 4</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.lowellart.com/images/pictures/vishnu.jpg" height="350" weight="350"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111224034586959696?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111224034586959696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111224034586959696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111224034586959696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111224034586959696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/03/na-estrada-parte-4.html' title='Na estrada - Parte 4'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111155722639186197</id><published>2005-03-23T01:16:00.000-03:00</published><updated>2005-03-23T03:50:52.876-03:00</updated><title type='text'>Na estrada - Parte 3</title><content type='html'>&lt;img height="318" src="http://www.southern.com/sue/art2/lotus.jpg" weight="498" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliguei o telefone e coloquei-me a caminho de casa. Um senhor de cabelos grisalhos varria a calçada da residência a frente. Era um velhinho ligeiramente corcunda e bastante magro. Seus olhos eram azuis como o mar. Pareciam brilhar como faróis, sendo possível, sem exageros, avistá-los a grande distância. Ele varria com prazer, embora o fizesse lentamente devido à idade, penso eu. Vi quando me olhou atentamente, observando-me com curiosidade. Apenas ameaçava entrar na casa de Josefa quando ele me perguntou:&lt;br /&gt;- O que deseja rapaz?&lt;br /&gt;- Eu... vou entrar...&lt;br /&gt;- Nunca lhe vi por aqui... Você é neto de Josefa? Sem saber o que dizer, achei por bem responder que sim e entrar o mais rápido possível. Porém, antes mesmo que eu virasse as costas, ouvi uma voz feminina lhe indagar:&lt;br /&gt;- Tá falando com quem, pai?&lt;br /&gt;- Hein? Ah, ninguém, ninguém... Foi um rapazinho que passou aí. Diz que é neto da Zefa Louca.&lt;br /&gt;- Neto? - devolveu-lhe a moça - desde quando a Zefa tem netos?&lt;br /&gt;- Sei lá, nem sabia que tinha filhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei extremamente chateado. Como aquele senhor podia falar de tal maneira a respeito de Josefa? Certamente ele não a conhecia bem, caso contrário jamais falaria assim de alguém tão especial e de coração tão grande e bondoso como ela. Porém, embora seu comentário tenha sido extremamente grosseiro, era certo que o mesmo não havia sido formulado a toa. Será que Josefa era tida como louca pela vizinhança? Ou aquela era apenas a opinião isolada de um vizinho? Talvez fosse apenas um deboche ou uma maneira pejorativa de referir-se a Josefa, de quem ele provavelmente não gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de casa reinava um silêncio mortal. Avancei até a cozinha a procura de Josefa, e só o que encontrei foi uma chaleira fervendo no fogão. Notei que a porta que dava para o fundos da casa estava entreaberta. Aproximei-me e coloquei a cabeça pra fora, numa atitude cautelosa, como se estivesse receoso pelo que pudesse encontrar. A paisagem que se desenhou diante de meus olhos foi simplesmente fenomenal. Aquela não era uma porta qualquer. Era um portão mágico, que nos conduzia a um reino encantado. Árvores frondosas dividiam espaço com todo o tipo de plantas, as quais estavam carregadas de flores das mais variadas cores e tonalidades. Ouvia-se o cantar dos pássaros de diversas espécies, que se misturam e confundiam-se numa só melodia, a qual nos envolvia e embriagava de prazer, levando-nos a uma terra de sonhos. Era sem dúvida o mais maravilhoso dos jardins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei por estreitas aléias floridas, deixando que o frescor do ar da manhã e o cheiro da terra molhada me invadissem por completo. Para onde quer que olhasse só o que via eram flores e mais flores. Era um imenso campo florido que se estendia rumo ao infinito. Avistando Josefa logo adiante, corri ao seu encontro.&lt;br /&gt;- O que é isso? Que lugar maravilhoso é esse?&lt;br /&gt;- É o Éden, meu filho! Foi daqui que Deus expulsou Adão e Eva. Ri-me de seu comentário jocoso. Mas como aquilo tudo podia caber no quintal de uma casa?&lt;br /&gt;- Mas qual o tamanho do terreno? Não sabia que seu quintal era tão enorme assim...&lt;br /&gt;- Mas ele não é muito grande - dizia com ar sério - só é um pouco maior que os outros. Apontou-me a direção de uma bela e frondosa árvore, a maior do terreno, e disse-me:&lt;br /&gt;- Vá até lá, filho, e veja por si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um muro ali. Porém não era um muro comum, pintado de branco como todos os outros. Nele estava desenhada a continuação daquele jardim. As mesmas árvores e flores, pintadas como num grande quadro ao ar livre. Fiquei estarrecido.&lt;br /&gt;- E os pássaros? Onde estão? Me senti um completo idiota quando ela disse que aquele maravilhoso canto era apenas uma gravação. Nesse instante o sonho acabou. Não existia nenhum mundo mágico afinal. Olhei atentamente ao meu redor. Claro, tudo era tão óbvio, como não percebi antes?&lt;br /&gt;- Mas, por que tudo isso?&lt;br /&gt;- Tudo o que, filho?&lt;br /&gt;- Isso aqui, essa representação toda...&lt;br /&gt;- Ora, não é uma representação. Só o que fiz foi trazer um pouco da natureza até minha casa. Os lindos murais que você viu foram pintados por um artista plástico amigo meu. As árvores sempre estiveram aí. Só o que fiz foi preencher o espaço entre elas com o colorido das flores. E quanto aos pássaros, por que não trazê-los para cá também, mesmo que de mentirinha?&lt;br /&gt;- Mas... com que dinheiro fez tudo isso? A julgar pela casa, achei que você fosse po... Interrompi a frase, percebendo que já estava sendo grosseiro. Ela fingiu indiferença e continuou com seus afazeres. Estava mechendo na terra, removendo algumas plantas secas e substituindo as mesmas por mudinhas novas. Fiquei algum tempo observando-a trabalhar. Vi que fazia tudo com muito prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certo momento, notei que junto à parede da casa havia alguns móveis antigos. Fui até eles e constatei que estavam tomados por cupins.&lt;br /&gt;- Você viu isso aqui?&lt;br /&gt;- Os móveis? O que têm eles?&lt;br /&gt;- Cupins. Estão tomados por eles.&lt;br /&gt;- Ah, sim, eu sei. Tirei de casa para evitar que me comam toda a mobília.&lt;br /&gt;- Mas você deve dar um fim nisso aqui. Não vê que simplesmente tirar esses móveis de dentro de casa não foi o suficiente? Esses cupins podem muito bem se espalhar por tudo rapidamente... Por que não põe veneno ao menos?&lt;br /&gt;- E matá-los? Ora, não posso fazer isso... eles são seres vivos, e tem direito à vida. Eles tem de se alimentar, e se seu alimento é a madeira, o que há de se fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei por bem não discutir. Me sentei numa cadeira ainda livre dos cupins e fiquei ali por um longo tempo, observando aquele esplendoroso jardim que destova de todo o restante casa, e entreguei-me mais uma vez a meus pensamentos e divagações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111155722639186197?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111155722639186197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111155722639186197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111155722639186197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111155722639186197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/03/na-estrada-parte-3.html' title='Na estrada - Parte 3'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111094681471356465</id><published>2005-03-16T01:27:00.000-03:00</published><updated>2006-02-27T16:33:29.566-03:00</updated><title type='text'>Na estrada - Parte 2</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.brynmawr.edu/Acads/Cities/wld/04180/04180a.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111094681471356465?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111094681471356465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111094681471356465&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111094681471356465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111094681471356465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/03/na-estrada-parte-2.html' title='Na estrada - Parte 2'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-111025962523109786</id><published>2005-03-08T01:24:00.000-03:00</published><updated>2005-03-17T02:35:52.250-03:00</updated><title type='text'>Na estrada</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.pipeline.com/~rgibson/picasso.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pablo Picasso - Massacre in Korea (1951)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava me sentindo sufocado. Não suportava mais conviver com aquelas pessoas. O ar tornava-se cada vez mais pesado. Não era possível que debaixo daquele teto houvesse alguma vida. Éramos apenas zumbis, que se aturavam por necessidade, ou por covardia. Aquela casa tornou-se um mero dormitório. Acredito que todos nós considerávamos assim. Um local maldito para onde deveríamos ir, caso não quiséssemos dormir num banco de praça ou debaixo de uma ponte – o que muitas vezes cheguei a pensar ser preferível. Da minha irmã e da minha mãe queria distância, do meu pai apenas o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã fria de agosto resolvi que aquele não era mais o meu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertador apitou às seis da manhã. Levantei-me e escovei os dentes, passei um pente nos cabelos e me vesti, assim como fazia todas as manhãs. Meus pais ainda dormiam. Minha mãe só se levantaria umas três ou quatro horas mais tarde. Meu pai logo estaria de pé, porém não antes das sete, quando geralmente eu já estava bem longe, sentado numa carteira escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquele dia, ao invés de livros e cadernos, eu levava comigo uma mochila. Dentro dela uma pasta, uma escova de dentes e outra de cabelo, algumas camisetas, uma calça, bermudas, várias meias e cuecas, pacotes de bolacha e meu walkman, junto com todas as minhas fitas. Levava também um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu destino naquele dia não era a escola, era a rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde ia? Não sabia. Tinha apenas a certeza de que queria estar longe dali. O local não importava. Se fosse bem longe, então já estava bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma infinidade de ônibus que chegavam e partiam. Uns vinham do sul, outros iam para o norte. Andei entre as pessoas, observando seus rostos, a expressão de tristeza e alegria que neles estampavam ao se despedirem de um parente que partia e a saudarem um amigo que chegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome de uma cidade me chamou a atenção. Era um nome bonito, mas estranho também. Estava escrito em letras de forma, pretas e grandes, num ônibus de cor verde-escuro de alguma empresa pequena do interior do estado. Era esse que eu ia pegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei a passagem com o dinheiro que peguei escondido do meu pai dias antes. Não era muito, apenas o suficiente para me manter por alguns dias, até que conseguisse algo para fazer.&lt;br /&gt;A viagem foi tranqüila e não durou mais que algumas horas. Não nos afastamos muito de casa... Seria longe o suficiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desembarquei. E jamais me senti tão sem rumo. Não havia ninguém me esperando. Nenhum amigo para me receber com um abraço caloroso. Não havia um endereço para dar ao taxista. Não havia nada nem ninguém que eu conhecesse ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei sem destino por uma longa avenida, que além de feia era bastante movimentada. A cidade ficava numa região de relevo muito irregular, fazendo com que suas ruas fossem cheias de subidas e descidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei de andar naquela avenida horrorosa. Talvez as ruas perpendiculares a ela fossem melhores. Depois de um tempo de caminhada, acabei indo parar numa bela e enorme praça, em cujo centro havia uma igreja. Em volta dela, muitas árvores, dezenas de vendedores de pipoca e uma centena de pombos. Por toda a praça havia pontos de parada para ônibus urbanos. Uma outra avenida, também bastante movimentada, a separava de outra praça, também cheia de árvores, porém sem vendedores de pipocas e com bem menos pombos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava cansado da viagem e cansado de andar. Sentei-me no primeiro banco que vi. Devia estar bem no centro da cidade. Havia muito movimento. Um trânsito enorme de carros, ônibus e gente. Num dado instante, o sino da igreja soou. Lembrei-me de Deus. Por que ele havia me mandado para lá? O que aquela cidade tinha para me oferecer? Será que Deus se lembrava de mim? Talvez nem soubesse onde eu estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi difícil achar um lugar para comer um salgadinho e tomar um refrigerante. Andei por muitas ruas, na tentativa de arrumar algo para fazer, algo com o que eu pudesse pagar um quartinho de pensão e uma refeição por dia. Porém, não tive coragem de pedir emprego a ninguém. Pensei em entrar nas lojas, que eram tantas, de roupas, calçados, jóias, e pedir uma chance. Mas tive vergonha. Nunca havia trabalhado, não sabia fazer absolutamente nada. E na verdade eu queria continuar assim, sem saber trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto andava, vi alguns muquifos nos quais se ofereciam quartos para alugar. Não fui capaz de entrar em nenhum. Porém logo anoiteceria, e eu sabia que era inevitável fugir. Por pior que fossem, eram melhores que a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da tarde, voltei a praça e me sentei naquele mesmo banco. Estava muito cansado, sujo e triste. Mas não estava arrependido. O inferno em que eu vivia estava me matando. As privações materiais pelas quais eu já começava a passar não eram piores que a tortura emocional a qual eu era submetido diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol se punha ao horizonte enquanto luzes da cidade se acendiam. Já estava escuro quando resolvi comprar um saquinho de pipoca, mas nem sei ao certo o porquê. Não estava com fome. Acho que queria relembrar os tempos de criança, quando ia com a minha mãe a praças como aquela para comer pipoca e algodão doce. Uma dezena de pombos me rodeava em busca de algumas migalhas. Passei a jogar um pouco da pipoca ao ar, e percebi como era gostoso fazer isso. Eles vinham aos montes e devoravam tudo em segundos. Era um lindo espetáculo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que frio que tá hoje, não? Ouvi numa voz fina e fraca. Sua dona era uma velhinha de mais ou menos um metro e setenta, cabelo bastante ralo, todo branco e que aparentava ser muito simpática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora ela me tivesse despertado respeito e sincera simpatia, aquele não fora definitivamente um bom dia. Não estava afim de conversa. Mas ela insistia:&lt;br /&gt;- Gosta de pombos, meu filho? Também gosto deles... " Não, não gosto de pombos, nem de gente chata e insistente que nem você." Foi o que pensei em falar, mas seu olhar era tão meigo que não fui capaz de magoá-la. Senti pena. Pude vê-la cabisbaixa, com os olhos cheios de lágrimas, sentindo-se profundamente rejeitada, quando o que mais necessitava era um pouco de conversa e o carinho de um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, gosto deles – respondi.&lt;br /&gt;- Sabe – ela sentou-se ao meu lado e fixou o olhar nos pombos - Todos os dias venho até esta mesma praça e compro um saquinho de pipoca, e assim como você está fazendo agora, jogo tudo aos pombos. Eu não como uma pipoca sequer, não gosto. Dou tudo a eles. Não sabe como é gratificante poder alimentá-los. Alguns dizem que não devo fazer isso, mas eu não me importo e faço assim mesmo. Sinto que eles retribuem o alimento que lhes ofereço. Em troca, eles me dão amor.&lt;br /&gt;- Os pombos dão é doenças, é bom que não fique muito próximo a eles...&lt;br /&gt;- Doenças do corpo? Pode até ser ... mas para a alma eles são um bálsamo. Eles vêm até mim em busca de algo. Me sinto feliz por poder satisfazê-los, e mais feliz ainda quando vejo o quão agradecidos eles estão. Eu converso com eles, e acredite, eles me respondem. Se isto me tratá doenças do corpo eu não sei, só sei que para a alma eles são um ótimo remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo já éramos bons amigos. Pude saber um pouco mais a respeito da cidade em que estava. Disse-me o nome do prefeito, falou-me sobre os ricaços do pedaço e suas extravagâncias. Contou-me também o que movia a economia da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josefa era viúva e tinha três filhos, todos morando fora. O mais velho ela não via havia cinco anos, os outros ligavam raramente. Quando me perguntou sobre minha família, hesitei em responder. Não queria e nem podia dizer-lhe a verdade. Mas seus olhos me passavam uma ternura tão grande, uma força tão intensa, que me invadiam e desmontavam todas as minhas resistências. Disse-lhe toda a verdade. Ela não me pareceu preocupada, não mostrou intenção nenhuma de me levar à polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhei uma cama quentinha, comida e carinho. Não me perguntou mais nada. Vi em seus olhos que seu único desejo era me acolher. Sabia que se tentasse me "denunciar" eu fugiria e ela jamais voltaria a me ver. Mantendo-se calada, ela ao menos me teria por perto para me proteger e orientar enquanto eu precisasse dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-111025962523109786?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/111025962523109786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=111025962523109786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111025962523109786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/111025962523109786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/03/na-estrada.html' title='Na estrada'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110956861659733906</id><published>2005-03-01T01:12:00.000-03:00</published><updated>2005-03-04T02:09:29.470-03:00</updated><title type='text'>Colhendo os frutos</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.diegomanuel.com.ar/animyplan/animyplan1/planta-con-frutos-2.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"planta con frutos 2", acrylic on canvas, 100 x 70 cm. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.diegomanuel.com.ar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A vida de um exemplar de jornal é curta, muito curta. Apenas um dia, nada mais.&lt;br /&gt;Ele nasce logo de manhã. Enquanto tomamos nosso café e comemos nosso pão, folheamos despreocupadamente um periódico qualquer. Eles nos falam sobre o mundo. Através deles nos sensibilizamos com a história de uma jovem estudante que, ao voltar para casa após mais um dia de estudos, é agarrada, estuprada e morta por um ser abominável cujo rosto ela nem chegou a ver. Por suas páginas tomamos conhecimento que um grupo de artistas engajados procura, através de sua arte, chamar a atencão da sociedade e das autoridades para a questão dos menores abandonados, e que um grupo de gays foi reclamar a aprovação de uma lei que lhes permitisse casar e ter acesso aos mesmo direitos que os casais heterosexuais. São tantas notícias, tantos fatos que ocorrem instantaneamente mundo afora. Certamente que boa parte deles nos são relatados e assim incorporados a nossas vidas através das folhas de um jornal.&lt;br /&gt;Porém a cada segundo algo novo acontece, e no dia seguinte novos fatos relevantes para algum povo, para algum público em particular será contado nas folhas de um jornal qualquer. E um novo exemplar nos chama a atenção para novos crimes, novas manifestações e para os últimos acontecimentos que envolvem a complicada questão da igualdade de direitos entre gays e héteros . O jornal de ontem já não mais importa.&lt;br /&gt;Tudo se esquece, até mesmo - ou melhor, principalmente - os anúncios da sessão de classificados. Para meu alívio, faço questão de ressaltar!&lt;br /&gt;Agora que aquelas linhas, nas quais eu implorava por um pouco de carinho e consolo, estão esquecidas para sempre, posso desfrutar calmamente dos frutos (embora poucos) que elas me renderam.&lt;br /&gt;O mais belo desses frutos tem olhos verdes e chama-se Catarina. É esse seu nome. Nome de rainha. Porém não é apenas o seu nome que possui ares de realeza. Tamém seu porte, sua maneira de conversar, de andar, de se portar a mesa.&lt;br /&gt;Infelizmente não nos vimos mais. Não por falta de vontade minha, e acredito que nem dela. O que ocorre é que a vida parece querer nos afastar. Nas poucas vezes que nos falamos ao telefone, alguma coisa sempre acontecia para interromper nossa agradável conversa.&lt;br /&gt;A primeira a nos atrapalhar foi sua mãe (sempre a sogra), que ligou desesperada no seu celular, implorando que a filha fosse imediatamente até sua casa para terminar uma complicada receita de algum prato exótico que ela não soube fazer. Na segunda vez foi uma amiga de Catarina pra lá de complicada, que em mais um de seus ataques histéricos, brigou feio com o namorado por ele ter lançado olhares de cobiça a uma garçonete do Mac Donald's. Agora ela estava acabada, sem namorado e desesperada ao perceber quão tola e neurótica é. Catarina, sempre muito meiga e atenciosa, não poderia deixar que a amiga cortasse os pulsos e acabasse de uma vez por todas com sua desgraçada vida. Já na última vez em que nos falamos, ela me ligou do aeroporto, muito apressada, pois o vôo sairia dentro de alguns segundos. Uma grande cidade no sul do país era seu destino. Talvez ficasse lá por uma semana ou mais, tratando de negócios da empresa onde trabalha. Ela foi pega de surpresa, e não queria viajar sem me avisar. Isso é um bom sinal, admito. Porém fico aqui a espera, sem saber quando poderei vê-la novamente.&lt;br /&gt;Aguardei ansiosamente todos esses dia um telefonema seu, que veio, é fato, mas justamente nos cinco minutos que saí para comprar pão e leite. Tive que me consolar com uma singela mensagem, na qual ela me dizia que lá o calor estava bem menos cruel, que o trabalho a estava sufocando e que em breve retornaria.&lt;br /&gt;O outro fruto não é belo, nem requintado e elegante, mas não deixa de ser maravilhoso e encantador, dentro de sua simplicidade.&lt;br /&gt;Aline me liga sempre que pode, contando-me algo engraçado que aconteceu com ela, com sua mãe, com suas cinco irmãs e dois irmãos, com suas amigas, enfim, com todas as pessoas que ela conhece e que parecem estar envoltas numa atmosfera de muito alegria e humor, de onde atraem, feito imãs, fatos engraçados e hilários, embora muitas vezes sejam extremamente constrangedores. São aquelas coisas das quais mais tarde, ao lembramos, morremos de rir.&lt;br /&gt;Tenho falado também com uma mocinha muito simpática, chamada Luciana. Ela tem apenas dezenove anos. Diz ser morena, ter cabelos encaracolados e um metro e oitenta de altura. Sei pouco sobre ela. Apenas que faz faculdade de moda, mora com os pais, e está louca a procura de um estágio remunerado. Adora sair pra dançar, fuma e bebe com moderação. Até hoje não nos vimos pessoalmente. Quando não está ocupada com os estudos, está de castigo ou simplesmente sentido-se triste após uma de suas brigas com seus pais e irmãos, o que a deixa impossibilitada de olhar na cara de quem quer que seja. Sei que na verdade esta tímida, cheia de medos. Um dia já tive sua idade, e espero pacientemente pelo momento em que ela estará pronta.&lt;br /&gt;Há ainda alguns outros frutos que já estavam um tanto passados, outros totalmente podres.&lt;br /&gt;Torço para que esses poucos frutos bons que me restaram conservem-se sempre assim, maduros e sadios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110956861659733906?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110956861659733906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110956861659733906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110956861659733906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110956861659733906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/03/colhendo-os-frutos.html' title='Colhendo os frutos'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110913529975892199</id><published>2005-02-23T00:57:00.000-03:00</published><updated>2005-02-24T00:38:55.396-03:00</updated><title type='text'>Clandestinos a bordo</title><content type='html'>&lt;img height="240" src="http://www.msjc.edu/art/djohnson/images/art%20100%20images/chapter%2023/guernica.jpg" weight="300" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pablo Picasso. Guernica. 1937. Oil on canvas. 11' 5 1/2" X 25' 5 1/4".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma linda garotinha de olhos azuis, pele bem branca, jeito meigo e delicado, e que acabava de completar singelos quinze aninhos, reunia amigos e parentes para uma comemoração.&lt;br /&gt;E seria uma comemoração fenomenal. O buffet foi dos mais caros. O salão era chiquérrimo, e os convidados, somente pessoas de muito dinheiro.&lt;br /&gt;Eu e minha turma conhecíamos a aniversariante. Estudava no mesmo colégio que o nosso. Flávia estava ainda no primeiro colegial, enquanto nós cursávamos o terceiro ano.&lt;br /&gt;Era uma garota muito simpática e extrovertida. Conversávamos muito com ela e com suas amigas durante o intervalo. Algumas delas foram nossas namoradas, outras apenas "rolos" passageiros.&lt;br /&gt;Porém, não éramos grande coisa. Não passávamos de garotos bonitinhos do terceiro ano. Certamente que seus verdadeiros amigos (esse "verdadeiro" é bastante questionável) eram mais bonitos, e mais ricos também.&lt;br /&gt;Ficamos de fora da festa. Talvez o convite tenha se extraviado no caminho.&lt;br /&gt;Mas "ficar de fora" era uma expressão que não conhecíamos, ou melhor, não vivíamos, se é que me entendem.&lt;br /&gt;Na noite da festa nos vestimos adequadamente ( fomos informados de que o traje era social completo, porém uma calça jeans e uma bela camisa de manga comprida já bastavam) e lá pelas nove horas da noite nos reunimos em frente a casa de um de nossos amigos. Lá bebemos um pouco, até que chegasse o momento propício para que colocássemos em prática nosso intento.&lt;br /&gt;A turma era razoavelmente grande. Não citarei todos os nomes, porém acho importante dizer que entre meus amigos estava meu ídolo inconsciente, aquele que eu amava e reverenciava (sem que no entanto me desse conta disso), meu vizinho.&lt;br /&gt;Aliás, acho que já é hora dele ter um nome. Seu lugar na minha vida foi de destaque. Não desejo reduzir a importância que ele teve para mim (como importante, não entendam algo positivo) chamando-o simplesmente de vizinho. Seu nome é Paulo Miguel.&lt;br /&gt;Credo, que nome feio! Imaginem um sujeito que se chama Paulo Miguel, o que lhes vêm a mente? Um cdf otário, bobo e certinho, puxa-saco de professor e bom aluno. Seu nome era mesmo "pulga", ou "el pulga", como preferir.&lt;br /&gt;Mas como dizia, não aceitamos a cruel exclusão da qual fomos vítimas e resolvemos compartilhar da alegria de Flávia.&lt;br /&gt;A festa já rolava há algum tempo, quando, através de um terreno baldio, pudemos penetrar facilmente no recinto da festa, sem que ninguém, ou quase ninguém, nos visse.&lt;br /&gt;Havia comida boa, uma ótima banda, garotas e bebida a vontade.&lt;br /&gt;"Onde está Flávia?"&lt;br /&gt;"Sei lá, meu, o que importa?"&lt;br /&gt;"Temos que dar os parabéns..."&lt;br /&gt;"O que? Você tá maluco... cê ouviu o que ele disse? Dar os parabéns... acorda, meu, somos penetras"&lt;br /&gt;"E daí, Flávia é nossa amiga. O que me dão se eu for lhe dar meus cumprimentos?"&lt;br /&gt;Ganharia uma caixa de cerveja de cada um.&lt;br /&gt;Meia hora depois estava sendo expulso da festa, juntamente com meus amigos, por quatro trogloditas que se diziam seguranças.&lt;br /&gt;Flávia foi simpática, coitada! O problema foi o pai dela, que me chamou de bicão. Fui obrigado a lhe responder a altura. "velho babão, quem você pensa que é pra falar assim comigo? Só porque tá com essa gostosa aí do seu lado que dar uma de machão, é? Quanto foi que você pagou pra essa puta dar pra você?"&lt;br /&gt;Felizmente a mãe da aniversariante era uma mulher compreensiva, e seus irmãos, cunhados, primos e amigos, fortes o bastante para segurar o pobre homem que eu havia terrivelmente ofendido.&lt;br /&gt;Terminamos a noite bêbados, estirados numa calçada qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Flávia ganhamos uma cruel indiferença, que nunca mais findaria.&lt;br /&gt;No colégio as opiniões se dividiram. Da minoria boba e careta vinha uma reprovação injustificável, sem dúvida movida por muita inveja e despeito. Da grande maioria, esperta e descolada, gloriosos aplausos e uma cega admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Que fique bem claro este ser que um dia habitou dentro de mim não mais existe, ou na pior das hipóteses, dorme em sono profundo, juntamente com as idéias e valores que possuia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110913529975892199?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110913529975892199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110913529975892199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110913529975892199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110913529975892199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/02/clandestinos-bordo.html' title='Clandestinos a bordo'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110869690882885201</id><published>2005-02-18T00:36:00.000-02:00</published><updated>2005-03-26T15:56:22.650-03:00</updated><title type='text'>Apenas um encontro</title><content type='html'>&lt;img height="314" src="http://www.yurozart.com/art/works/sty_1770.jpg" weight="209" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Becoming One, Oilbar On Canvas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.yurozart.com&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sentada numa mesa ao fundo. Lá o som da música, das vozes e dos talheres a rasparem a louça fina não podia chegar aos seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia alheia a tudo. Talvez não estivesse naquele elegante restaurante, escolhido por ela mesma. Talvez não estivesse a espera de um desconhecido. Acho que estava apenas tomando um drink, distraindo-se a olhar a bela visão noturna da cidade, perdendo-se no seu mundo de pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, seus belos e meigos olhos verdes me fitaram com desdém, indiferença. Era apenas mais um rosto que sua retina absorvia, mais uma face que seu cérebro decodificava. Iguais a tantas outras, nem melhor, nem pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém aquele rosto não era apenas mais um. Não era como o rosto do feirante ou do açougueiro, era um rosto esperado, aguardado. Vi que seu corpo estremeceu, sua respiracão acelerou-se. Pude perceber claramente quando ela toda tornou-se uma pedra rígida. Certamente que seu cérebro percebeu naquele semblante banal, que poderia ser apenas mais um entre milhares, a descrição física do homem que ela esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi para me sentar. Aprovou o pedido com um gesto tímido, porém gentil e caloroso. Seu olhar passava receio, e também coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentei-me devidamente. Disse-lhe onde vivo, no que trabalho. Descrevi a cidade onde nasci, a escola onde estudei, a faculdade que cursei, meu primeiro emprego. Contei-lhe sobre a minha relação com meus pais, irmãos, amigos. Se disse tudo? Óbvio que não, pois há muito a ser dito. Se foi verdade? Uma parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa seguiu agradável. Havia entre nós uma intimidade especial, provocada pela troca espontânea e divertida de olhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutei sobre suas músicas preferidas, sobre a morte trágica de seu pai, o fim do terceiro casamento de sua mãe, histórias da época da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jantar foi divino. O sobremesa foi ainda melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim era iminente. A hora avançava segundo a segundo, minuto a minuto, e a cada instante ficava mais próximo o momento de nos separarmos. "Espero que o mercado perto de casa ainda esteja aberto, caso contrário, amanhã não terei pasta para escovar os dentes"&lt;br /&gt;"Isso não é problema. Na minha casa tenho muitas pastas. De todas as marcas e sabores. Tenho escova de dentes também. Muitas além da minha. Há também um lugar vago na cama, uma mesa grande para o café, e muita comida..." Isso foi o que devia ter dito, e não disse.&lt;br /&gt;"Aposto que você não é do tipo que faz lista de super-mercado. Acertei?" Foi só o que fui capaz de dizer. Um comentário bobo, talvez simpático, quem sabe engraçado. Porém inexpressivo. Um comentário covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos no seu carro. O mercado, uma franquia de uma dessas grandes redes internacionais, de fato ainda estava aberto. Bom, na verdade nem era tão tarde ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que chegássemos à pasta de dente, passamos por várias outras seções do mercado. Entre os fogões e geladeiras, pensei qual deles ela gostaria de ter na nossa cozinha. Quando avistei as panelas, não pude deixar de imaginar com qual ela prepararia um de nossos inúmeros jantares românticos. Na parte dos produtos de limpeza, perguntei a mim mesmo se ela seria capaz de estragar suas belas mãos esfregando o chão ou os azulejos do banheiro. Imaginei o lençol de nossa cama, os travesseiros, os cobertores para os dias de frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela não estava interessada em fogões ou panelas. Queria apenas uma pasta de dente.&lt;br /&gt;Logo estávamos no caixa. Era hora da despedida. Trocamos palavras amistosas e sinceros elogios. Também um beijo nos rosto e um singelo "tchau". Em seguida ela rumava sozinha para casa, enquanto eu pegava um táxi para o restaurante, onde havia deixado meu carro.&lt;br /&gt;Em casa, silêncio. Ausência completa de som. Nem mesmo um mínimo ruído. Só me restava agora colocar meu pijama (de seda) e ir dormir. Ou então poderia perder uma noite de sono e solidão navegando pela internet. Será que vocês podem adivinhar qual das duas opções eu escolhi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno papel dobrado guarda um nome e um número de telefone. Guarda também uma lembraça, e por que não dizer, uma esperança.&lt;br /&gt;Certamente que nos falaremos outra vez, possivelmente nos veremos. Podemos ser amigos, ou podemos ir mais além... Bom, isso é algo que só o tempo poderá nos dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110869690882885201?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110869690882885201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110869690882885201&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110869690882885201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110869690882885201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/02/apenas-um-encontro.html' title='Apenas um encontro'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110818691854694569</id><published>2005-02-12T02:34:00.000-02:00</published><updated>2005-02-18T02:04:29.116-02:00</updated><title type='text'>Resultados, muitos resultados</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.bolivianet.com/arte/sergioantelo/fotos/bienal.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ego en depre. 3 x 3 mts. Acrílico. &lt;span style="font-size:100%;"&gt;1&lt;/span&gt;er. Premio XIII Bienal de Artes Plásticas. 2002&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse post foi alterado! Desculpem os que já leram. Mudei apenas os primeiros parágrafos. Não alterei nada referente ao encontro com Aline. Quando fui postar estava meio sem tempo e deixei de colocar alguns detalhes relevantes, os quais coloco agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível o que um simples anúncio de jornal pode fazer.&lt;br /&gt;Durante a semana inteira o telefone não parou de tocar nem por um segundo. Chegou uma hora em que ficou impossível atender aos telefonemas. Eu não conseguia mais comer, tomar banho, assistir Tv e nem mesmo dormir. Fui obrigado a deixar na secretária eletrônica, e atender somente amigos ou colegas de trabalho.&lt;br /&gt;Os interessados foram muitos. Pessoas de todos os tipos. Homens e mulheres. Negros, brancos, orientais, gordos, magros, ricos, pobres, enfim, tudo que possam imaginar.&lt;br /&gt;Obviamente jamais poderia me encontrar com toda essa gente. Tive que fazer uma seleção prévia. Ao ouvir as mensagens, analisava cuidadosamente a voz, o jeito de falar, o linguajar e o conteúdo em si das mensagem deixadas pelos "candidatos". As pessoas mais interessantes foram selecionadas. Tive que passar um pente fino, finísssimo mesmo. Os que sobraram cabem nos dedos de uma só mão.&lt;br /&gt;Mas sempre existem os impertinentes, que são brasileiros e não desistem nunca. Vendo que não respondo, deixam uma mensagem atrás da outra, entupindo a secretária. E são coisas de péssimo gosto, tais como: "Quero te lamber todinho", "sua gata selvagem te espera", "meu neném, já tô louca por você". Que nível, meu Deus!&lt;br /&gt;É esse tipo de gente que acha que pode vencer pela insistência. Porém mal sabem eles que isso não funciona comigo. Eu sigo critérios rígidos e previamente estabelecidos. Como sou mal!&lt;br /&gt;Agora sei que cometi um erro imperdoável ao colocar no anúncio meu numero de telefone. Deveria ter dado e-mail ou caixa postal.&lt;br /&gt;Bom, mas vamos ao que interessa. O meu primeiro encontro foi hoje, com aquela doida que me ligou no útimo domingo. Foi justamente a primeira pessoa a me telefonar.&lt;br /&gt;O shopping estava cheio. Saí de casa como se estivesse indo para um super-mercado. O pouco que falamos pelo telefone não me animou. Porém, achei que seria muito chato deixá-la esperando. E também, o que eu tinha a perder?&lt;br /&gt;Cheguei pontualmente no local combinado. Esperei por uma morena de um metro e setenta, cabelos ondulados, magra e esbelta. Mas quem eu encontrei foi uma baixinha de um metro e cinquenta, cabelos crespos e bastante gorda.&lt;br /&gt;Aline é um poço de simpatia. Muito bem humorada. Na verdade, talvez nem seja bem humorada. O fato é que ela é tão doida, tão maluca, que isso acaba tornando-a engraçada.&lt;br /&gt;- Gente - disse com a mão na boca, flexinando todo o corpo, chegando com a cabeça até na altura dos joelhos - mas é você mesmo? Cara, você é muito gato!&lt;br /&gt;Sem saber o que dizer, resolvi manter a calma e me comportar de maneira natural.&lt;br /&gt;- Que bom que você gostou de mim...&lt;br /&gt;- Gostar foi pouco, eu amei você, juro. Foi então que ela me agarrou pelo braço e me levou a dar voltas e mais voltas por todo o shopping, enquanto passava mão no meu rosto a cada cinco minutos, e me contava toda a historia da sua vida.&lt;br /&gt;- Pois então, minha tia é super sem-noção. Acredita que ela bebe pra fazer o almoço? Isso mesmo que você ouviu, não adianta fazer essa cara de espanto, não. Sabe, ela diz assim que detesta ser dona de casa, nasceu pra dondoca, sabe, só que na família errada, sabe? - muitos risos - Pois então, ela odeia cozinhar e limpar a casa. Aí ela bebe, fica mais relaxada, e aguenta fazer todo o serviço. Se é pior? Que nada! Quando bebe ela fica super animada... Aliás, nem te conto como ela apronta menino... Todo sábado ela faz uma das suas. Tá sempre arrumando um homem por aí, na rua, e olha que ela é casada.&lt;br /&gt;Estudo? Ah.. saí da escola cedo sabe? Pra que estudar? Agente perdia nosso tempo lá. Olha, eu não conseguia entender nada do que a professora dizia. Pra que eu ia querer saber todas aquelas fórmulas matemáticas? Não vou ser engenheira mesmo! Agora só faço uns bicos por aí. É difícil arrumar emprego agora, sabe? Todo mundo pede pelo menos ensino médio completo.&lt;br /&gt;Conversamos muito. Ela adora falar, conta piadas muito bem e é super divertida. Senti pena da cara de choro que ela fez quando lhe disse que não poderiamos ter nada assim, mais íntimo.&lt;br /&gt;"Seremos ótimos amigos. O que acha de você almoçar comigo no domingo?" Fiz esse convite para consolá-la, mas realmente seria muito divertido tê-la como amiga.&lt;br /&gt;Ela me disse que teria que pegar dois ônibus e também metrô. Fiquei com dó e resolvi levá-la de carro. Deixei-a na porta de casa.&lt;br /&gt;Foi um otimo encontro. Não é alguém para colocar à mesa do almoço todos os dias ou no lado esquerdo da cama (que é de casal), mas ganhei uma ótima amiga, que estará sempre disposta a me contar uma de suas histórias loucas. Quanto a já citada busca, esse foi apenas o primeiro encontro dos muitos que virão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110818691854694569?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110818691854694569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110818691854694569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110818691854694569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110818691854694569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/02/resultados-muitos-resultados.html' title='Resultados, muitos resultados'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110771299039386597</id><published>2005-02-07T01:34:00.000-02:00</published><updated>2005-02-08T03:33:41.246-02:00</updated><title type='text'>Delícias de um domingo quente</title><content type='html'>&lt;img height="256" src="http://stobblehouse.com/arthome/stob/stob-nu.JPG" width="384" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o telefone tocou somente uma vez. E certamente este é um telefonema único.&lt;br /&gt;Acompanhem parte da conversa:&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Oi gato, sua alma gêmea te liga agora... O que você diz?&lt;br /&gt;- Como?... Quem está falando? Foi então que me lembrei daquele anúncio que coloquei nos classificados de um jornal, num dos meus inúmeros momentos de insanidade.&lt;br /&gt;- Sua cara metade, a mulher dos seus sonhos.&lt;br /&gt;- Olá, tudo bem com você? Perguntei tentando parecer natural, fingindo ignorar seus comentários malucos.&lt;br /&gt;- Sim, querido, e com você? Sem esperar resposta, continou: Sabe, estou super ansiosa pra te ver. Tenho certeza que vamos gostar muito um do outro... Sabe, achei o seu anúncio tudo de bom... Sou quem você queria, esteja certo disso. Sabe, por que não marcamos um encontro? Pode ser onde você quiser...&lt;br /&gt;Pois foi o que fizemos. Já que no telefone somente ela falava, não me dando chance nem de dizer: "sim","uhum","concordo","verdade", quem sabe ao vivo eu tenha mais espaço, e possamos manter um diálogo.&lt;br /&gt;Ela não quis me adiantar nada sobre sua aparência física. Vamos ver no que vai dar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando completamente de assunto, hoje é um daqueles dias que não se tem nada para fazer. Estava pensando em passar o domingo vendo programas na tv a cabo ou então assistindo filmes no DVD. Porém o sol escaldante que fazia lá fora acabou por me dissuadir dessa idéia. Não podia desperdiçar um dia lindo como foi o de hoje infurnado dentro de casa. Resolvi deixar os filmes para os dias chuvosos.&lt;br /&gt;Tenho três amigos que moram juntos, num condomínio de apartamentos muito simpático, que além dos seus cinco prédios residenciais, tem uma maravilhosa piscina e uma pequena mata muito bonita.&lt;br /&gt;Era um ótimo dia para visitá-los.&lt;br /&gt;Fui recebido com o mesmo carinho de sempre. Eles são pessoas ótimas, que lutaram muito na vida pra chegar onde estão. Moram juntos, como já disse, e compartilham não só um apartamento, mas também uma vida. Entre eles há uma relação de amor e amizade muito grande. Embora haja também muita lascívia e devassidão (estou exagerando um pouco, é verdade) são pessoas dignas de admiração.&lt;br /&gt;- Ah, mas quanto tempo hem, pensei que não viria nunca mais.&lt;br /&gt;- Pois a distância é a mesma, respondi entre risadas.&lt;br /&gt;- Quer ver a reforma?&lt;br /&gt;- Não, primeiro ele tem que ver nossa mascote - disse outro amigo, também morador.&lt;br /&gt;Era uma linda gata, uma mistura de siamês com rajado. Uma obra de arte da natureza, como um deles me disse. Acharam na rua, perto do condomínio. Estava magra e esfomeada. Agora já está ficando gorda. Deve ter uns quatro meses.&lt;br /&gt;- Agora você tem que ver o banheiro, ficou lindo! Sabe aqueles azulejos branquinhos, sem graça? Pois então, trocamos tudo.&lt;br /&gt;- Não vai me dizer que colocaram aqueles azulejos com temática egípcia, como estavam pensando?&lt;br /&gt;- Quem tava pensando? Eu que não. Isso foi idéia do seu amigo aí....&lt;br /&gt;Bom, realmente o banheiro estava lindo. Colocaram azulejos pretos, trocaram a pia, o chuveiro, a banheira, as torneiras, o espelho, enfim, tudo.&lt;br /&gt;Também trocaram quase toda a mobília da casa. Qual deles estava ficando rico? Ou seriam os três?&lt;br /&gt;Sentamos na varanda para conversar. Ficamos de frente para um aglomerado de árvores (a pequena mata, da qual já lhes falei), que além de ser um colírio para os olhos, trazia um delicioso cheiro de mato e terra molhada.&lt;br /&gt;Já fazia mais ou menos uma hora que estávamos ali conversando, quando chega Larissa, a nomorada de um deles.&lt;br /&gt;Larissa é uma moça muito simpática. Linda, de olhos azuis, pernas de um metro e dez, cabelos compridos, rosto e corpo muito bem feitos. Aliás, meu queridos amigos não ficam em nada atrás dela em matéria de beleza.&lt;br /&gt;O mais velho deles é bastante alto, tem cerca de um metro de noventa. Chama-se Giuliano. Não é forte, mas tem um corpo definidíssimo, assim como os outros dois, que são um pouco mais baixos.&lt;br /&gt;Giuliano é loiro, de pele bem branca. Henri também loiro, só que de pele mais escura, quase moreno, e Menegucci é branco de cabelos escuros.&lt;br /&gt;Logo chegou Mônica, uma mocinha de uns dezenove anos, no máximo. Era muito bonitinha também. Tinha cabelos negros, assim como os olhos. Era magra mas tinha um belo corpo. Seu jeitinho espivitado lhe dava uma toque todo especial. Conversava muito, sempre fazendo muitas piadas.&lt;br /&gt;Um clima diferente pairava no ar.&lt;br /&gt;Nos foram servidos todo tipo de aperitivos. Um jantar estava sendo preparado. Será que adivinharam que eu vinha? Ou aquilo nem era para mim?&lt;br /&gt;Bebemos horrores. Num dado momento, porém, quando ninguém mais conseguia esconder a ansiedade, fomos todos convidados a ir para um lugar mais reservado. Giuliano nos guiou para uma maravilhosa suíte, também reformada. Isso eles não haviam me mostrado.&lt;br /&gt;As janelas estavam fechadas e havia fotos sensuais por todo lado, com representações de sexo explícito, inclusive algumas posições do kamasutra.&lt;br /&gt;Erámos seis pessoas, ao todo. Quatro homens e duas mulheres. Num clima de sedução, tiramos a roupa lentamente. Ou melhor, nos tiraram a roupa. De acordo com uma das regras, éramos proibidos de tirar a roupa por nós mesmo. Deveríamos esperar que alguém o fizesse por nós, usando para isso a boca e os dentes. Nada de mãos nessa hora.&lt;br /&gt;Objetos de sado-masoquismo, bebida, cera derretida das inúmeras velas que decoravam o ambiente (ou iluminavam, pois não havia luz elétrica na suíte) e também muito chocolate quente, fizeram parte da diversão.&lt;br /&gt;Todos gozavam dos prazeres da carne juntos. Homens e mulheres se atritando, se desejando, se tocando. Lá homem beijava homem e mulher beijava mulher. Não havia mais regras nesse momento. Tudo nos era permitido.&lt;br /&gt;Foram três longas horas de muito prazer e sexo. Nos tranformamos em bichos insaciáveis, incontroláveis.&lt;br /&gt;Depois nos refestelamos com um maravilhoso jantar, digno de reis e rainhas. Foi um dia e tanto! Confesso que jamais me senti tão bem. Minhas paixões e desejos mais secretos estão todos realizados agora. Ou quase todos...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110771299039386597?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110771299039386597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110771299039386597&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110771299039386597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110771299039386597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/02/delcias-de-um-domingo-quente.html' title='Delícias de um domingo quente'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110731790767587654</id><published>2005-02-02T00:21:00.000-02:00</published><updated>2005-02-02T02:18:27.676-02:00</updated><title type='text'>Cortando a sombra</title><content type='html'>Hoje fui acordado da pior maneira possível: Com um ensurdecedor barulho de motoserra. Fui obrigado a levantar-me um pouco mais cedo que de costume e já que estava de pé, resolvi verificar de onde vinha tamanho estrardalhaço.&lt;br /&gt;Uma legião de homens aglomerava-se próximo a uma linda árvore existente quase em frente a minha casa. Não sei exatamente a espécie (talvez fosse uma Sibipiruna), só sei que era linda, e que agora já não passa de tocos e serragem.&lt;br /&gt;Por que esse pessoal tem mania de cortar árvores? Elas dão sombra, diminuem a poluição e embelezam a cidade. Isso me revolta.&lt;br /&gt;Cheio de indignação, troquei o pijama rapidamente e fui assuntar com o vizinho o motivo da derrubada.&lt;br /&gt;Após os devidos cumprimentos, perguntei-lhe por que estava rancando a árvore fora.&lt;br /&gt;"Ah, sabe o que é, minha esposa reclama muito da sujeira. Na época de floracão fica uma meleca, ninguém dá conta de varrer"&lt;br /&gt;No mesmo instante veio em minha mente, como numa espécie de filme, a imagem de meu vizinho, de sua esposa e de seus quatro filhos.&lt;br /&gt;Seus cabelos grisalhos, sua ampla barriga e seu jeito distinto e elegante, somados a sua bela casa e sua maravilhosa frota de carros, não me deixam dúvidas de que ele é um homem muito bem de vida.&lt;br /&gt;Não sei exatamente no que trabalhava (hoje já está aposentado) mas devia ser algo que lhe rendia bastante dinheiro. Parece ser uma boa pessoa.&lt;br /&gt;Sua mulher é a miss simpatia do bairro. Um amor de pessoa. Adora ajudar os outros e acolher os gatos e cachorros perdidos que aparecem nas redondezas. Veste-se com muito esmero. Usa todo tipo de acessórios, muitas e muitas jóias e roupas que chamam bastante atenção. Tem um jeito assim meio madame, uma certa afetação que não sei se veio de berço ou se ela criou depois que subiu de vida. Pretendo investigá-la, saber sobre suas origens.&lt;br /&gt;Seus filhos são figuras ricas, dariam ótimos personagens em um livro. Costumo dizer pra mim mesmo que eles vão da depravação à castidade.&lt;br /&gt;A filha mais velha é uma moça já beirando os trinta, mas que ainda é sustentada pelos pais. Usa muitos piercings e outras coisas doidas penduradas pelo corpo, além de falar muito engraçado. Aliás, sua linguagem é bastante peculiar. Ela está sempre atualizada com as gírias da moda, além de ter as que ela mesma inventa.&lt;br /&gt;De vez em quando ela aparece bêbada na calçada. Mas não é com muita frequência não. Acho que uma ou duas vezes por mês, no máximo.&lt;br /&gt;A segunda filha é uma moça muito bonita, que está sempre dando em cima de mim, dos meus amigos, dos vizinhos, do lixeiro, do jornaleiro, do padeiro... E não estou brincando não! Ouvi dizer que ela sofre de um distúrbio relacionado ao sexo. Pelo que sei não é algo permante, mas ela tem algumas recaídas às vezes.&lt;br /&gt;O terceiro filho é um homem. Parece ser bem responsável. Faz faculdade e estagia numa grande empresa. Conversei com ele algumas vezes. É muito inteligente e centrado. &lt;br /&gt;O quarto e último filho na verdade é uma mulher. Uma garota ainda, pois deve ter uns 18 anos. Nunca mais a vi. Desconfio que foi para um convento, pois uma vez sua mãe me disse que ela queria ser freira.&lt;br /&gt;De fato ela parece ter vocação. Vestia-se muito sobriamente, com roupas apagadas e sem graça. Aliás, ela era dessas pessoas apagadinhas, sem sal nem açucar.&lt;br /&gt;Mas enfim, todos tem suas vidas e parecem estar bastante ocupados com ela. Gozam de boa condicão financeira e vivem cada qual a sua maneira.&lt;br /&gt;Agora eu pergunto? Qual deles já passou um segundo do seu tempo varrendo ou lavando a suposta enorme sujeira que a árvore fazia?&lt;br /&gt;Acho que nem preciso lhes dizer a resposta. Então, por que cortar a árvore, que dava sombra e beleza a nossas vistas, e a nossas vidas?&lt;br /&gt;Vai ver ficaram com dó da empregada, coitada, que já estava cansada de cumprir com suas obrigações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110731790767587654?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110731790767587654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110731790767587654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110731790767587654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110731790767587654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/02/cortando-sombra.html' title='Cortando a sombra'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110689281966411688</id><published>2005-01-28T01:03:00.000-02:00</published><updated>2005-01-29T01:59:28.366-02:00</updated><title type='text'>Reflexão... e decisão</title><content type='html'>Horário de almoço, restaurante cheio, pessoas de todos os tipos, lugares e empregos, se apertando, se expremendo, lutando por um lugar na mesa e pelo que sobrou da comida.&lt;br /&gt;Por que fui desistir de comer a comida deliciosa que a Rose faz?&lt;br /&gt;Ah sim, desisti porque tinha uma entrevista pra fazer, justamente no horário de almoço. Ir pra casa almoçar acabou ficando fora de cogitação. Teria que enfrentar um trânsito horrível, andar quilometros e mais quilometros, almoçar correndo, tomar um banho (sim, pois nesse calor, não há como ficar sem banho) e ir voando até a casa da ilustre figura a qual me concedeu a honra de passar parte do meu tempo entrevistando-a.&lt;br /&gt;Pessoa importante, vai render muitas páginas. Resolvi sair do ar condicionado e ir eu mesmo fazer a entrevista.&lt;br /&gt;Bom, mas voltando ao horário de almoço, o restaurante estava lotado. Foi o melhor que pude conseguir estando a pé, pois pegar o carro, nem pensar.&lt;br /&gt;Havia pessoas de todos os tipos e idades, que trabalham nos mais variados empregos. Todos com pressa, com medo de perder o ônibus, o metrô, o horário do emprego, o salário no final do mês.&lt;br /&gt;Será que alguém ali tem paz? Algum deles consegue sentar-se à mesa calmamente, olhar nos olhos dos companheiros, sejam eles marido, filhos ou colega de trabalho, e conversar amistosamente, saboreando o alimento, mastigando-o adequadamente, sentindo todo o sabor da comida, seu tempero?&lt;br /&gt;Aposto, sem medo de perder, que a resposta é não.&lt;br /&gt;Os Vedas hindus nos convidam à paz, a calma, a auto-contemplação. A comida é um bem essencial para a vida física. E como tal, deve ser valorizada.&lt;br /&gt;Por que não reservamos um espaço, físico e de tempo, para que com a calma necessária possamos ingerir o combustível diário, que nos move e nos sustenta? Por que não colocar ao nosso lado, nesse horário tão especial, alguém que gostamos, que queremos por perto, e olhar em seus olhos e lhe perguntar como tem passado, o que tem sentido?&lt;br /&gt;Poucos fazem isso. Pois hoje tempo, infelizmente, é dinheiro. E ninguém quer perder dinheiro. Inclusive eu.&lt;br /&gt;E então me vejo de frente com mais um dos meus paradoxos. Sou contra a correria, contra os slogans materialistas que nos fazem acreditar que a cada segundo perdido milhões nos são cobrados. Porém nada faço para sair mentalmente deste mundo, e me entrego a correria e a busca pelo sucesso, esquecendo-me de sentar-me a mesa com as pessoas que amo.&lt;br /&gt;Mas, quem é que de fato amo? Sabe que nem sei se sou capaz de responder?&lt;br /&gt;Pela rua, vejo famílias unidas, com pais que levam seus filhos para tomar sorvete, mães carinhosas que mimam e bajulam suas lindas crianças.&lt;br /&gt;Embora nunca tenha tido muita vontade de ter uma família, às vezes me pergunto se não gostaria de ter uma linda meninha a me esperar todos os dias. Ou um garoto para quem eu seria um herói e que me tomaria como exemplo para construir seu próprio caráter.&lt;br /&gt;Mas filhos dão gastos, despesas. É menos dinheiro para o carro, para as festas, para a curtição das viagens. Talvez o melhor mesmo seja não tê-los.&lt;br /&gt;Há outro problema: encontrar a pessoa certa não é uma tarefa nada fácil. Poderia passar horas discorrendo sobre a pessoa ideal, no caso a mulher ideal, pois homens não me dariam filhos. São tão voluntariosas, cheias de vontades, egocêntricas e barraqueiras. As mulheres que me perdoem, sei que muitas não são assim. O problemas é que todas que cruzam meu caminho, infelizmente, correspondem a esta terrível descrição.&lt;br /&gt;Ter uma família e pessoas que nos amem não é uma tarefa fácil. Consequentemente, ter quem sente-se a mesa conosco e deixar de acreditar que tempo é dinheiro, também não é fácil.&lt;br /&gt;Estou pensando seriamente em colocar um anúncio no jornal, avisando a todos e todas que quero companhia. Dizer que estou carente e a procura de alguém com quem dividir a mesa do almoço (alguém que não seja a Rose, minha empregada. Nada pessoal, mas não fica bem beijá-la repentinamente durante a refeição).&lt;br /&gt;"Homem solteiro e bem resolvido procura pessoas alegres, bonitas e sadias, para relacionamento leve e duradouro. Divido comida, talheres e a cama (e nada mais). Interessados, favor contactar-me o mais rápido possível".&lt;br /&gt;Talvez seja uma boa saída. O máximo que pode acontecer é que eu encontre pessoas feias, chatas e desinteressantes. No mais, o que tenho a perder? Pois amanhã mesmo passo em todos os jornais da cidade.&lt;br /&gt;A todos deixo um último e breve aviso: Me aguardem!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110689281966411688?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110689281966411688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110689281966411688&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110689281966411688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110689281966411688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/reflexo-e-deciso.html' title='Reflexão... e decisão'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110670710379120545</id><published>2005-01-26T01:32:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T01:33:29.040-02:00</updated><title type='text'>Apenas uma lembrança - Final</title><content type='html'>... E consciente ou inconscientemente, foi o que fiz.&lt;br /&gt;A partir de então não havia mais limites, não havia mais o certo e o errado.&lt;br /&gt;Os fins justificariam os meios. Pela glória final, tudo compensaria.&lt;br /&gt;Seria aclamado, aplaudido, querido e desejado.&lt;br /&gt;Todos sentiriam inveja de mim.&lt;br /&gt;Muitos desejariam estar no meu lugar, ter a minha coragem e o meu desprendimento.&lt;br /&gt;Um garoto popular e inconsequente então surgia. Nascido (ou renascido) das cinzas do esquecimento, ele não seria mais um. Seria único. Perpétuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz a maturidade, vejo quão tolo e patéticos podemos ser quando temos apenas alguns anos de idade e nada - mas nada mesmo - na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110670710379120545?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110670710379120545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110670710379120545&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110670710379120545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110670710379120545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-lembrana-final.html' title='Apenas uma lembrança - Final'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110651234554396505</id><published>2005-01-23T17:35:00.000-02:00</published><updated>2006-02-27T03:05:43.536-03:00</updated><title type='text'>Apenas uma lembrança - Parte III</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110651234554396505?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110651234554396505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110651234554396505&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110651234554396505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110651234554396505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-lembrana-parte-iii.html' title='Apenas uma lembrança - Parte III'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110619536514136007</id><published>2005-01-20T02:26:00.000-02:00</published><updated>2005-01-20T02:29:25.156-02:00</updated><title type='text'>Apenas um Sonho ( ou pesadelo )</title><content type='html'>Nos dois últimos "posts" tenho contado fatos que considero marcantes na minha vida. Seriam como "divisores de águas". Fatos como estes não faltaram na minha modesta existência. Mas hoje, me perdoem leitores (que não são muitos, eu sei) mas não estou nos meus dias mais melancólicos. Se alguém se interessou pela chatérrima história da minha vida, aguardem, pois prometo que no próximo "post" continuo aquele interessantíssimo relato. Agora tenho algo muito intrigante e não menos interessante, que gostaria de lhes contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi mais um dia de levantar cedo. Porém estranhamente estava me sentindo mais animado. Ao acordar, tive a sensacão de estar mais leve, calmo, extremamente tranquilo e sereno.&lt;br /&gt;Lembro-me que sonhei com vastos campos floridos, onde homens e mulheres de todas as idades meditavam por horas e horas a fio. Vestiam roupas leves, um tanto exóticas, a semelhanças das vestes usadas pelos monjes budistas. Havia muita paz em todo o ambiente.&lt;br /&gt;Passei um longo tempo naquele campo, observando todas as flores, todas as árvores, olhando em cada face que meditava. Rostos de traços harmoniosos, leves, descansados.&lt;br /&gt;Porém, em dado momento, lembrei-me que não vivia ali. Algo dentro de mim me dizia que era hora de ir embora. Aquele local era proibido para mim. Não poderia permanecer sobre aqueles campos por nem mais um segundo.&lt;br /&gt;Lembrei-me então da cidade onde vivia. Uma cidade de prédios tortos, escuros e muito, muito feios, desenhou-se perante meus olhos. Os trausentes vagavam como zumbis, sem ânimo, sem coragem de caminhar. Vestiam trapos e tinham os pés descalços. Alguns me olhavam, e a cada olhar sentia uma grande angústia a me corroer.&lt;br /&gt;Num dado instante, reparei numa menina quase nua, de rosto todo sujo, com enormes e profundas olheiras. Ela tinha um ferimento na boca, que sangrava muito. Ao ver-me, ela me estendeu as mãos. Como num "insight", vi que seu pai a batia quase que diariamente.&lt;br /&gt;Num segundo estava em sua casa, em meio a movéis velhos e despedaçados. Por sobre um fogão imundo havia duas panelas, uma com feijão e outra com arroz, porém não havia gás para cozinhar. No mesmo instante um enorme pé de feijão brotou de uma das sementes que "cozinhava" na panela. Foi então que ela me disse algo sobre a abundância perdida. Falava-me que os caminhos eram tordos e espinhosos, mas era preciso percorrê-los, sem medo nem receios. Havia uma luz no final, a qual seria alcançada, após muita luta e muita dor.&lt;br /&gt;Após ter-me dito tais palavras, ela me mostrou um retrato de seu pai, que estava pendurado na parede, como um quadro. Era um homem orgulhoso, um industrial muito rico. Ele vivia a quilometros dali e vinha quase todos os dias apenas para espancá-la. Como se tudo fosse a coisa mais natural do mundo, ela me mostrou outro retrato, no qual uma bela mulher ostentava inúmeras jóias. Seu corpo estava tomado por elas. "Eu quase posso alcançá-las. Todos podemos. Mas não as quero, elas mancham de sangue a jornada. O caminho torna-se escorregadio e nós caímos. A terrível serpente então nos devora".  Após ter ouvido a tudo atentamente, eu me virei e olhei em direção a janela. Vi que era dia. Saí para ver o sol. Novamente um lindo campo desenhou-se a minha frente. Não havia mais janela, nem paredes, nem casa, nem ninguém. Outra vez uma forte sensação de paz e calmaria tomou conta de mim. Acordei serenamente.&lt;br /&gt;Levantei-me como de costume. Escovei os dentes, pentei os cabelos, porém sem me lembrar de nada. Foi ao longo do dia que fui me recordando de todo o sonho. Aos poucos as lembranças voltavam, confusas e desconexas, como num quebra cabeça. A cada hora me lembrava de uma cena, de um frase dita pela estranha garotinha.&lt;br /&gt;Estou extremamene intrigado com este sonho. Talvez seja uma mensagem a ser compreendida. Talvez tenha sido resultado de muitas coisas que venho pensando nos últimos tempos. Dúvidas, anseios, angústias, questões sem resposta. Talvez tudo tenha se juntado e formado esse estranho jogo de quebra-cabeça, que pode ser apenas um jogo, sem objetivos concretos, ou pode ser a chave para algo que procuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110619536514136007?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110619536514136007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110619536514136007&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110619536514136007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110619536514136007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-um-sonho-ou-pesadelo_20.html' title='Apenas um Sonho ( ou pesadelo )'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110592971072842227</id><published>2005-01-17T02:30:00.000-02:00</published><updated>2005-01-19T02:20:18.060-02:00</updated><title type='text'>Apenas uma lembrança - Parte II</title><content type='html'>Nos dias que se seguiram tentei observá-lo o máximo que pude. Sei que é coisa de gente doida, carente, mas eu sentia uma vontade quase incontrolável de agir assim. Não podia evitar, era muito mais forte que eu.&lt;br /&gt;Ele e seus amigos costumavam reunir-se muito em sua casa, e o local preferido parecia ser a calçada (Por que não ficavam na beira da piscina ao invés de ficarem na rua?). Enquanto conversavam e se enchiam de cerveja, eu podia analisá-los tranquilamente da janela de casa, sem que me percebessem.&lt;br /&gt;Ele sabia como chamar a atenção. Sabia como ter todos a seus pés. Contava sempre a maioria das piadas e tinha as melhores e mais engraçadas tiradas. De toda a turma era o que falava mais alto, sempre gesticulando muito. Brincava bastante com as meninas, gostava de abraçá-las e estava sempre dando um jeito de tocá-las. Percebi que elas o adoravam.&lt;br /&gt;Ja haviam se passado cerca de três ou quatro semanas desde a data de sua mudança, quando finalmente pude conhecê-lo pessoalmente (enfim deixaria de espioná-lo, qual um louco).&lt;br /&gt;Era de tarde, eu estava vindo de um lugar qualquer, talvez da casa de um colega, não me lembro. Ele e mais três amigos seus, entre eles uma garota, estavam sentados na calçada, como de costume. Ouvi pela conversa que um deles estava atrasado para uma aula de inglês. "Ei, garoto", ouvi uma voz feminina me chamar. Virei-me espantado. "Que horas são?". Timidamente respondi... "Ei", ouvi novamente. Desta vez era meu vizinho quem falava comigo. "Você mora aqui na frente não mora? Faz tempo que vivi aqui?"&lt;br /&gt;Ele me perguntou sobre a vida no bairro, as pessoas, se haviam jovens, velhos ou crianças e o que tinha para se fazer de interessante por aqui. Acabamos travando uma longa conversa. Educadamente ele pediu que eu me aproximasse. Depois de um tempo sentei-me ao lado dele e de seus amigos.&lt;br /&gt;A timidez foi diminuindo até desaparecer por completo.&lt;br /&gt;A garota era um "rolo" antigo dele. Agora estava namorando um de seus amigos.&lt;br /&gt;Notei que entre eles havia uma espécie de pacto. O que era de um, era de todos. As garotas também faziam parte do acordo. Eram tanto " as compartilhadoras", como "as compartilhadas".&lt;br /&gt;O outro garoto era uma figura medíocre. Digamos que ele parecia viver "a sombra" do seu colega, meu vizinho. Ria muito de tudo que ele falava, embora às vezes eu tivesse a nítida impressão de que tal atitude não passava de uma grande encenação. Talvez agisse assim para agradar o amigo.&lt;br /&gt;Ele tinha também a irritante mania de repetir todas a piadas engraçadas que o pessoal contava. Cerca de vinte minutos ou meia hora depois, lá estava ele fazendo os mesmo comentários ou repetindo a mesma anedota, com uma ou outra modificação. De vez em quando o resto da turma percebia suas artimanhas para chamar atenção, outras vezes não. Eu notava quase sempre, pois desde criança sou muito observador. Ele era conhecido como xérox. Por que será?&lt;br /&gt;Em pouco tempo eu era parte da turma. Passei a beber esporadicamente. No início resisti. O cheiro da cerveja era horrível e o gosto não era muito melhor. Mas eles insistiam: "Ah, para com isso, vai dar uma de criancinha..." "Larga de ser bobo meu, você já tem barba na cara..." Não pude dizer não. Com o tempo passei até a gostar daquela bebida que antes achava tão detestável.&lt;br /&gt;Por incrível que pareça bebíamos em frente a nossa casas. Meus pais e os dele passavam todo o dia fora. Depois do almoço, ao invés de estudar, nos reuníamos para beber e conversar. Engenhosamente, colocávamos a cerveja em latinhas de Coca, Guaraná ou Fanta. Se eventualmente algum vizinho ou amigo de nossas familias passasse por lá, nada veria de errado.&lt;br /&gt;Com o tempo o cigarro passou a fazer parte de nossas vidas também. Mudei meu guarda roupa e minha maneira de pensar. Eu não sabia, mas daquele dia em diante muitas coisas mudariam na minha vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110592971072842227?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110592971072842227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110592971072842227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110592971072842227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110592971072842227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-lembrana-parte-ii.html' title='Apenas uma lembrança - Parte II'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110581654989916471</id><published>2005-01-15T17:15:00.000-02:00</published><updated>2006-02-27T03:03:53.826-03:00</updated><title type='text'>Apenas uma lembrança</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110581654989916471?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110581654989916471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110581654989916471&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110581654989916471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110581654989916471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-lembrana.html' title='Apenas uma lembrança'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110558777763634480</id><published>2005-01-13T01:40:00.000-02:00</published><updated>2005-02-13T03:45:24.616-02:00</updated><title type='text'>Apenas uma reflexão</title><content type='html'>6:30h... o relógio desperta... levantar, se vestir, escovar os dentes, pentear os cabelos totalmente despenteados, tomar um copo de leite, pegar o carro, dirigir sonolento até o trabalho e... trabalhar.&lt;br /&gt;Não tenho nada contra o trabalho, mas sim contra a rotina. Rotina essa que nos mata e nos sufoca. Uma tortura quase diária ( quase por que de vez em quando, de tempos em tempos, uma luz nos ilumina e resolvemos que precisamos de férias, de tempo, de paz, de descanso e de distância).&lt;br /&gt;Certa vez, anos atrás, li num livro de literatura do colegial algo que dizia que os verdadeiros heróis não eram aqueles que lutavam em guerras e defendiam os fracos e oprimidos. Os verdadeiros heróis estão na rua, na escola, no trabalho, enfrentando a massante e esmagadora realidade cotidiana, da qual ninguém escapa. Enfrentar a rotina: Eis um feito heróico.&lt;br /&gt;Enquanto enfrento a rotina, enquanto dirijo meu carro, penso por que me submeto a tudo isto? Se me sinto cansado, por que ainda insisto em me levantar todos os dias e repetir mecanicamente as mesmas coisas?... é dificil responder, mas passível de reflexão.&lt;br /&gt;Na epoca da adolescência não era rico, embora também não fosse pobre. Tinha uma vida razoável. Porém eu não me contentava com uma vida razoável. Pensava grande. Queria sempre mais.&lt;br /&gt;A luxuria foi um sentimento que sempre carreguei. Roupas caras, sapatos caros, carros caros, programas caros, quanto mais dinheiro estivesse envolvido, melhor. Quanto mais glamour e luxúria transbordassem, melhor.&lt;br /&gt;Andei muito de ônibus. Nada contra o transporte coletivo, nada contra as pessoas que usam o transporte coletivo. Era com resignação e aceitacão que me dirigia até o ponto de parada próximo a minha casa. Com bom-humor e alegria tomava o ônibus para chegar aos mais diversos locais da cidade. Porém, eu nunca gostei realmente de estar ali. Era num carro importado que eu queria estar. No carro em que todos gostariam de estar.&lt;br /&gt;Eu me exibiria para as garotas. Sentiria orgulho quando me olhassem. Prazer... luxúria... dinheiro!&lt;br /&gt;Hoje gozo de uma condição melhor, e penso que a luxúria e a busca pela riqueza são o que me mandam ir em frente. Não vivo por viver. Não vivo por prazer de ver o sol e as estrelas, nem por amor ao trabalho, a minha mãe, aos meus amigos e aos meus casos de amor. Vivo pelo dinheiro. Vivo por que quero um dia gozar de uma situação gloriosa. Por que sinto necessidade de esbanjar, cometer extravagâncias, gastando sem limites nem preocupações... Talvez alcance o que consciente e inconscientemente almejo. Mas me resta uma pegunta, que ainda sou incapaz de responder: Onde isto pode realmente me levar? O que de fato pode me dar? Que o tempo responda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110558777763634480?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110558777763634480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110558777763634480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110558777763634480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110558777763634480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-reflexo.html' title='Apenas uma reflexão'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110546599002411018</id><published>2005-01-11T21:49:00.000-02:00</published><updated>2005-02-13T03:40:45.866-02:00</updated><title type='text'>Apenas uma vida - Continuacão</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Enquanto subíamos a íngreme trilha, fui obrigado a ouvir uma longa dissertação sobre "a criação de pássaros silvestres em cativeiros - os prós e contras." Sem querer desmerecer a inteligência do meu amigo João, naquele momento eu estava mais afim de curtir a natureza maravilhosa que me cercava. Árvores altíssimas, muito verde, animaizinhos que vez ou outra cruzavam nosso caminho, como lebres, coelhos, macacos e até um veado. Um delicioso passeio.&lt;br /&gt;Fiquei sabendo, através de João, o nome da maioria das árvores que "habitavam" a região. Ele me contou sobre sua coleção de bonsai, falou um pouco sobre o solo daquela área e tantas outras coisas que nem me lembro mais.&lt;br /&gt;Reparei que havia uma moça, muito formosa, que constantemente vinha até meu adorado amigo metido a botânico e lhe perguntava coisas que eu não conseguia ouvir. Ela parecia tímida, acanhada, falava tão baixinho.&lt;br /&gt;Numa da vezes em que ela veio lhe falar, esperei que se afastasse o suficiente para não ouvir e fui investigar.&lt;br /&gt;- Quem é a moça João?&lt;br /&gt;- Que moça? Essa que veio falar comigo agora?&lt;br /&gt;- E essa mesma... quem é? Namorada?&lt;br /&gt;- Não, imagina, o que é isso - percebi que de seus lábios escapou um sorriso enigmático, malicioso, que só depois compreenderia melhor - apenas uma amiga. Mas falou amiga de um jeito tão estranho... fez questão de frisar a palavra "amiga".&lt;br /&gt;Bom, continuamos o passeio, que durou horas. Paramos para um lanche. Eu acabei fazendo amizade com outras pessoas. Havia um casal de velhos muito simpático e uma mulher troncuda e com jeito de macho, com quem passei um bom tempo conversando ( após ter-me livrado do João). Num dado momento, ela acabou soltando que não viera com a namorada por que haviam brigado e depois rompido. Agora ela estava curtindo uma fossa e resolveu se isolar um pouco lá no meio do mato. Só pude dizer que lamentava muito.&lt;br /&gt;Mas já que eu estava ficando popular, resolvi que era hora de conhecer a linda moça amiga de João. Aproximei-me devagar, fazendo um comentário qualquer sobre o passeio, assim, como quem não quer nada. Ela foi simpática e começamos a conversar. Pude observá-la bem. Era uma mulher alta, forte, tinha corpão, cabelos pretos e longos, olhos escuros e uma voz grossa. Acho que ela gostou de mim, pois passamos o resto do dia conversando.&lt;br /&gt;Mas como tudo tem um fim, nosso passeio também teve o seu. Eram umas cinco da tarde quando enfim voltamos. Não posso esquecer de mencionar a vista maravilhosa que se tem lá do alto. Quando atingimos o topo do morro-montanha, todo um maravilhoso parque florestal estendeu-se a nossos pés. É deslumbrante, indescritível!&lt;br /&gt;Bom, eu estava muito cansado, resolvi tomar um banho e depois jantar. Mas eu estava sozinho no meu chalé. A linda moça de nome Najara tinha companhia, mas de amigos. Talvez ela quisesse uma companhia mais calorosa.&lt;br /&gt;- Sabe, eu estou sozinho aqui... não quer conhecer meu chalé?&lt;br /&gt;- Conhecer? Mas eu pensei que fossem todos iguais...&lt;br /&gt;- Não, eles têm algumas diferenças básicas, como o piso, disposição e tamanho dos cômodos. O que acha de vir comigo?&lt;br /&gt;- Bom, não custa nada, né? Me lançou um sorrisinho simpático quando eu a envolvi em meus braços e coloquei minha mão na sua cintura.&lt;br /&gt;Antes de irmos para o chalé, ela quis avisar aos seus colegas de quarto sobre a mudança de planos. Bom, foi então que fui bombardeado por olhares admirados e sorrisos sarcásticos. "Você hem, quem diria" , "nunca imaginei sabia", "senti que podia confiar em você quando lhe confiei meus mais íntimos segredos", disse-me a simpática moça lésbica com que tinha conversado durante a caminhada. Sem nada entender, segui com Najara para meu quarto, abraçado a ela. E muito entusiasmado.&lt;br /&gt;Tudo o que se passou daí em diante foi muito rápido e confuso.&lt;br /&gt;Entramos. Eu tomei banho sozinho, pois ela recusou-se terminantemente a ir para o banheiro comigo, embora eu tivesse delicadamente sugerido que o fizesse.&lt;br /&gt;Depois do banho me vesti, passei perfume e fui ao seu encontro. Ela estava sentada num sofazinho, lendo uma revista qualquer.&lt;br /&gt;- O que achou do chalé?&lt;br /&gt;- Simpático... mas é idêntico ao nosso.&lt;br /&gt;Conversávamos quando o telefone tocou. Era Bárbara, uma moça que há semanas está atrás de mim. Como descobriu onde eu estava? Como soube o número? Não faço a mínima idéia. Mas o fato é que ela ligou, e embora eu não estivesse muito interessado em seus favores, nem antes e muito menos agora, resolvi que não poderia magoá-la com a verdade. Qualquer dia eu poderia me sentir sozinho e precisar da sua companhia.&lt;br /&gt;O telefone ficava na sala e infelizmente Najara teria que ouvir tudo.&lt;br /&gt;- Estou sozinho... o que? Tânia lhe disse isso? O que ela disse? Acompanhado?... é, estou... um amigo... Rubens... conheci aqui... sim... sim.. tudo bem... ligo assim que chegar... tchau, beijos! pra você também... tchau!&lt;br /&gt;- Como soube? Me perguntou Najara extremamente surpresa?&lt;br /&gt;- Como soube o que?&lt;br /&gt;- Do meu verdadeiro nome? Eu não me lembro de ter-lhe dito...&lt;br /&gt;Bom, o resto da história é simples. Educadamente tive que enxotá-la (ou enxotá-lo) do meu chalé. Arrumei minhas coisas e saí pela "porta dos fundos", à francesa. Não fui capaz de olhar na cara de ninguém, pois agora entendia todos os comentários e olhares dirigidos a mim momentos antes. Talvez ainda volte lá um dia. Quem sabe daqui uns dez anos? Nada contra Najara... ainda se fosse um louro alto e bonitão, como tantos que já conheci. Mas Rubens travestido de Najara, isso definitivamente não! É, todos sabiam, menos eu. Que bom que não tomamos banho juntos nem fizemos amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110546599002411018?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110546599002411018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110546599002411018&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110546599002411018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110546599002411018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-vida-continuaco.html' title='Apenas uma vida - Continuacão'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10078513.post-110541526048630980</id><published>2005-01-11T05:00:00.000-02:00</published><updated>2005-02-13T03:30:18.066-02:00</updated><title type='text'>Apenas uma vida</title><content type='html'>Minha vida é chata, triste, melancólica, obscura, vazia e entediante. Minha vida também é agitada, empolgante, inebriante, excitante... ela tem muitos antes... tem muito mal e muito bom, muita festa e muita dor. Choro, lágrimas, riso e descontração... Um paradoxo! Minha vida é um grande e infinito paradoxo.&lt;br /&gt;O que esperavam? Que queriam que eu dissesse? Acho que jamais consegui definir tão bem o que é minha existência. A existência de um rapaz ( idade não mencionada... por enquanto) confuso e decidido. Um homem branco, de cabelos claros, olhos escuros, estatura alta e corpo magro. Um garoto que estuda e que lê. Um jovem que sabe ouvir e à vezes não sabe falar. Um homem maduro que sabe conversar e se impor, mas que muitas vezes não é capaz de ouvir. Novamente o Paradoxo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus dias!&lt;br /&gt;Foram tantos os dias que povoaram minha vida. Entre tantos, escolho o de hoje.&lt;br /&gt;O sol bilhava alto quando despertei. O que fazer meu Deus... folga do serviço... pra que acordar cedo?&lt;br /&gt;Sabem, nem acreditei quando na última sexta, no fim do expediente, depois de uma semana estafante, meu querido chefe ( leia-se gordo chato ) me veio com a melhor notícia que poderia ter tido no ultimos cinco anos: " Você folga segunda. Mas terça entra no horário hem... sem atrasos, pelo amor de Deus... "Atrasos? Imagina... fim de semana prolongado, um dia a mais... a justa recompensa por trabalhos forçados semanas atrás... e costumo me atrasar apenas às segundas feiras..." nem preciso dizer que cheguei em casa livre, leve e super feliz. Teria um fim-de-semana com um dia a mais. Onde ir? não estava disposto a ficar em casa, assistindo filmes, enquanto chove lá fora ( aliás, como chove nesses meses de janeiro...). Não deu outra: Peguei minha mala, coloquei meia dúzia de roupas lá dentro e cai na estrada.&lt;br /&gt;Acabei parando num hotelzinho muito simpático, situado numa região de montanhas a uns cem quilometros de onde vivo. Bom, na verdade não são bem montanhas, não sei se são. Mas é uma região de muito verde, com terrenos elevados, cheia de morros, vales, etc. Um lugar adorável. O hotel é composto de vários chalezinhos e eu aluguei um. Embora nesta época de férias todos viajem e lotem tudo, a dona do hotel é minha amiga e sempre me reserva um lugarzinho pra esta época do ano. O problema foi que esqueci de convidar os amigos, teria que dormir sozinho. Companhia teria somente durante o dia.&lt;br /&gt;Tânia, uma gordinha muito simpática (Bom, na verdade eu não devo dizer que ela é gordinha, e sim, cheinha. Uns pneuzinhos aqui, umas gordurinhas localizadas ali, mas não chega a ser gorda) proprietária do hotel, é minha amiga deste os tempos da faculdade. Depois de decepcionar-se com a carreira jornalística, ela decidiu investir no ramo hoteleiro. Eu fui uma das pessoas que mais a apoiou, e agora ela me recompensa com super descontos e reservas garantidas em qualquer época do ano.&lt;br /&gt;Bom, chegando lá, resolvi que precisava jantar. Eram quase onze horas e eu não havia comido praticamente nada. A euforia de férias inesperadas me deixou tão agitado que me esqueci de comer. Comida boa, pessoal gentil, papo animado, resolvi que tava cansado e era hora de me recolher. No dia seguinte teríamos longas horas de caminhada.&lt;br /&gt;A cama era macia e grande. O banheiro espaçoso. Tomei um refrescante banho, li umas revistas que estavam jogadas por lá e me deitei pra dormir. Rapidinho peguei no sono. Nunca dormi tão bem. Acordei só no outro dia, com o canto das mais variadas espécies de passáros como pano de fundo. A natureza no local era exuberante. Muita árvores, flores, um lugar e tanto!&lt;br /&gt;Como havia previsto, logo depois do café saimos para uma trilha. Andaríamos pela mata até atingirmos o local mais alto da região. Outros grupos fariam trilhas diferentes, indo até cachoeiras, riachos e cavernas.&lt;br /&gt;No meu grupo estava João, um rapaz muito agradável. Sendo irmão de Tânia, é um frequentador assíduo do local. Mexe com computadores, internet... é um moreno de cabelo crespo, ao contrário da irmã, que é branca. Tenho fortes motivos pra suspeitar que ele é adotado.&lt;br /&gt;Bom, voltando ao assunto, João é alguém muito agradável de se conversar. Entende tudo de pássaros, plantas e árvores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô cansado, continuo mais tarde...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10078513-110541526048630980?l=apenasumavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apenasumavida.blogspot.com/feeds/110541526048630980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10078513&amp;postID=110541526048630980&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110541526048630980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10078513/posts/default/110541526048630980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apenasumavida.blogspot.com/2005/01/apenas-uma-vida.html' title='Apenas uma vida'/><author><name>protagonista-autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13971380117027670234</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
